Talvez eu possa estar enganado… mas sinto e digo.
Acaba hoje um ano, um estranho ano, a todos os níveis. Para mim um ano de mudanças e sobrevivência – deixei Lisboa em Abril para não ter tantas despesas e dar apoio à minha mãe. De entre os meus colegas da cultura, talvez não me posso queixar, consegui apoios- sim consegui!, porque me tive de candidatar – não são propriamente apoios! E não chegaram a tantos outros…

Um ano que se percebe que muita coisa não funciona bem… Um ano em que percebemos que falta muita coisa… Um ano em que os governos mostraram as suas garras… escolhendo proibir, ludibriar e conter em vez de elucidar e consciencializar – e por favor não me venham com coisas, pois nem todos temos o mesmo discernimento, nem a mesma formação, para perceber sem mais… E a nossa função – dos que percebemos, e a dos que estão acima de nós – é explicar o porquê, é ter a coragem de dizer os porquês… Mesmo porque aqueles que não percebem, provavelmente já perceberam outras coisas noutros tempos… mesmo provavelmente porque aqueles que não sabem, já permitiram que os que agora sabem, tivessem tido essa oportunidade do conhecimento… Sempre apreendi que por mais responsabilidade e hierarquia que fosse uma posição ou um cargo, a responsabilidade era sobremaneira maior para com os outros também…

Nada pára, tudo gira e se transforma… E não se esqueçam que muitas vezes os fins são os princípios e que não somos mais que ninguém… e se formos, acabamos por definhar como os outros, seja por um vírus seja pela forma de ser e agir – a vida e o universo podem tardar, mas não falham…

Um ano em que percebemos que este governo sobre cultura, é só mesmo copos – aqueles que eles gostam de beber com os artistas enquanto fazem uma selfi.. Porque depois pagar o que apregoam, levam demasiados meses para fazê-lo, se o fizerem… Mas adoram propagandear que compremos cultura, nestes tempos. Com que dinheiro, pergunto eu… porque as contas dos artistas e das pessoas em geral, não existem só enquanto estão nas ribaltas…

Um ano em que a ciência foi tão louvada e tão necessária que não sei bem o que é agora – uma espécie de venda de banha da cobra de uns tipos que se chamam experts em tudo mesmo em conhecimento científico e erro – porque a ciência também vive de erros, avaliações, métodos e tempo para os seus resultados….e não se esqueçam que muitas vezes a ciência falhou.

Um ano de tanta coisa e de nada, porque provavelmente o que é mais importante ainda não inoculou os braços, as veias ou os corações… E os interesses, os individualismos, os oportunismo e e as corrupções, creio bem que cresceram…
Um ano em que as máscaras não caíram, mas se multiplicaram vezes sem conta, provocando um distanciamento ainda maior entre os seres humanos… Cada vez são mais os obstáculos da comunicação e o problema não é só das redes sociais…

Um ano que que crianças deixaram de o poder ser…
Um ano de grandes negócios!… As grandes empresas e grandes companhias ainda cresceram mais… e nem falo na indústria farmacêutica… Um ano em que muitas pessoas preferiram sofrer e talvez até morrer em casa, com o medo de outras doenças… com o medo da pouca disponibilidade dos profissionais, que só tinham ordem para o vírus – e sei na pele, com a minha mãe, do que falo.

Um ano que não foi um ano, foi uma eternidade… Uma eternidade que se propaga… porque parece, que esta nova ciência e inteligência, não são suficientes e válidas para impedir os outros gestos que já nos fomos habituando na nossa rotina diária… e porque parece, que pior que este, virão mais…
Um ano em que tanto falta falar… e em que até falar, se tornou polémico e equaciona a diferença e as liberdades de pensar

Posso estar enganado no que digo, eu disse…
Mas ainda assim, desejo mesmo um Bom Ano para todos nós

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