@Alvaiázere by Rob the Gardener

Vão-se desvanecendo os valores, os pouco que ainda iam existindo… É fácil esquecer a justiça e as boas práticas e num qualquer acto individualista, faz-se uma malvadez.  Esquecesse a justiça das coisas – e até a humana – e faz-se algum tipo de mal a alguém, financeiro, profissional, emocional ou carnal… Mesmo correndo o risco de uma possível ilegalidade, mas Who Cares!, ou no nosso melhor português: estão-se a cagar… Mesmo porque acontece tudo tão rápido, já está outra merda a acontecer, e há tanta outras coisas a acontecer, que não faz mal fazer uma malvadez qualquer. Não se pode ser sensível para viver, é mesmo na base do sobreviver.

Se quiseres saber quem te controla, procura á tua volta por quem não permite que o critiques | Voltaire

É importante termos em conta que as verdades, são os seres humanos que as vão construindo e criando, e que também como humanos que somos, temos todo o direito de duvidar racionalmente das mesmas, construindo assim o nosso próprio caminho e processo. O David Bowie dizia algo como: não acredites em mais nada a não ser a tua experiência. Eu acrescentaria, mas aguenta-te!

E é como se fossem partindo os vidros de uma casa, partindo as portas, deixando as ervas cresçam à volta. A tinta das paredes desaparecer com o sol e o vento, com a erosão do tempo, escoando pelas paredes, deixando o céu azul lá longe, em cima, envelhecendo até desmoronar…

 

Faz no próximo dia 15 de Dezembro, 8 anos que estreou o espectáculo O homem que queria ser água, no espaço Ágora da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Campus da Caparica.
Um convite do Professor José Moura, para as comemorações do Ano Internacional da Química, onde a água tinha um papel primordial. Convite pelo qual serei eternamente grato.

Há mais de 8 anos que venho investigando, pesquisando e recriando de uma forma artística e de consciencialização a água e as questões ambientais.
Creio que ainda nem se falava muito nisso… Recordo que nos primeiros espectáculos, as pessoas olhavam-me com desconfiança e incredibilidade:
este gajo deve estar louco… Hoje em dia, noto uma diferença – a identificação das pessoas para as questões apresentadas, bem como a assimilação da informação cientifica é maior.

O espectáculo deu origem ao inicio de um projecto. Desde 2011 que o projecto
O homem que queria ser água vem promovendo uma consciencialização e sensibilização artística em torno da água e das questões ambientais. Nestes 8 anos, criou 3 textos, 2 dos quais são espectáculos de teatro – o Homem que queria ser água e AguaFontes; um conto infantil – O rapaz que se transformou em água; o ARG L´Aqva; uma Tese de mestrado em Ciências da Comunicação; @gua_um conto digital – animação hipermídia reconhecida internacionalmente, integrada na Electronic Literature Collection III e as Conferências Water Talks: Água, Arte e Consciência no Séc XXI, publicadas em suporte papel e digital.

Nestes 8 anos, e por ter andado por vários círculos institucionais, congressos e eventos relacionados com a água, sempre tive a sensação de ser uma espécie de ovelha negra, pois era o único a falar e dar o valor a este liquido impar e vital. Porque de resto, são sempre nomeadas as estatísticas, os números e as novas oportunidades de um sector em expansão… não é por acaso que a água é considerada o ouro azul.

Presentemente equaciono-me muito por este papel de alerta e sensibilização. Toda esta historia das alterações climáticas, ultimamente é vista como piada e chacota, além de um próspero negócio para pessoas, empresas e marcas que se dizem bio, recicladas e sustentáveis…

Por vezes penso que já não vale muito a pena… as pessoas só aprendem quando batem com a cabeça na parede… há uma ordem natural das coisas acontecerem e o ser humano nunca foi muito esperto em evitá-las… além de que os governos preferem continuar com interesses e subterfúgios, a tomar medidas efectivas.
E cada vez menos, se poderá alterar e fazer frente às forças da natureza e do tempo. James Lovelok disse numa entrevista “ Acho que ainda não evoluímos ao ponto de sermos suficientemente inteligentes para lidar com uma situação complexa como as mudanças climáticas.”

Contudo o projecto segue vivo, fluindo quando pode… E além de algumas ideias que me assaltam o pensamento, o espectáculo O homem que queria ser água, mantêm-se actual e na ordem do dia, infelizmente…

No próximo ano, irá ser apresentado em algumas escolas do 2º e 3º ciclos dos Municípios de Palmela, Sesimbra e Setúbal, integrado no Concurso “Água para todos”, uma acção de sensibilização da responsabilidade da ENA – Agência de Energia e Ambiente da Arrábida.

A todos aqueles que durante estes 8 anos, de alguma forma fluíram comigo,
o meu sincero agradecimento.

Be water! My friend!

 

Be Water! My Fiend!

Neste dia Nacional da água – 1 de Outubro – sinto que a mesma tem ficado um pouco em segundo plano nesta nova telenovela das alterações climáticas…
Talvez porque me toque mais – o projecto O homem que queria ser água                (
https://homemahgua.wixsite.com/teatro ) faz este ano 8 anos. 8 anos de pesquisas e inquietações sobre este líquido ímpar e vital. Contudo, a capa do Courrier Internacional deste mês – de onde são as fotografias – corrigiu o meu pensamento e volta a pôr em causa, quanto a mim, um verdadeiro problema vital que nos seca a passos largos… 

Acredito na ação e culpa do homem nestas questões ambientais – apesar de alguns cientistas dizerem que sempre houve alterações climáticas, que o que está a acontecer tem a ver com a alteração do eixo da terra, com manchas solares e raios galácticos… apesar do CO2 ser uma pequena parte da nossa atmosfera e por isso não poder ter este efeito de aquecimento sugerido, apesar dos modelos climáticos não serem de confiança e de alguns outros cientistas – estando ou não comprados/manipulados – lançam o pânico no sentido do aquecimento global. O medo, essa coisa que sempre fez e fará mover multidões…
Não se esqueçam que com o aquecimento da temperatura, a evaporação da água e a sua procura será bem maior. 

Mas apesar de tudo isto, acredito que os incêndios, a desflorestação, a poluição, a destruição e abolição de nascentes, os desvios de cursos de água, o não tratamento de resíduos, o consumismo de nós todos, as poucas políticas e directivas ecológicas, bem como os monopólios de grandes marcas, entre outras tantas coisas, afetam – sobremaneira – o ecossistema da terra. 

Gosto muito do James Lovelok, britânico, ambientalista e pesquisador independente, que escreveu o livro A vingança da Terra, onde a Terra é considerada um superorganismo – Gaia (terra para os antigos Gregos). Um sistema complexo, integrado e autorregulado, em que os seus organismos vivos e o seu ambiente físico evoluem sofrendo influencias recíprocas que objectivam a preservação da vida. Lovelok diz que hoje em dia “sabemos que a Terra, efectivamente, se autorregula, mas descobrimos demasiado tarde que essa regulação está a falhar e que o sistema da Terra avança rapidamente para um estado critico que colocará em perigo a vida que alberga”.
…. o que me parece bastante lógico e natural, porque vamos ver… tudo tem uma acção>reação! Se eu por exemplo te der uma chapada, tu vais devolver-me outra… ou pelo menos vais ficar com a cara vermelha e a latejar, e é se não te soltar o sangue do nariz, porque a minha mão é grande…

Sobre a Greta não falo… gostava de não pensar nisto, mas por vezes tenho a sensação que toda esta telenovela da emergência climática, é uma manobra de dispersão para surgir algo – que seja ele o que for, não será bom concerteza…

A terra é o berço da humanidade, mas a humanidade não pode ficar no berço para sempre. | Konstantin Tsiolkovsky

 

Sinto-me confuso, impotente e desorientado perante esta situação planetária – parece-me um bom termo. Vivemos um processo global, nunca antes sentido, nunca antes perspectivado de ser resolvido.

E apesar de tudo, parece que não se passa nada, até dá jeito não saber o que se passa… Mostramos as selfies das férias, em que provavelmente esquecemos que a água onde mergulhamos vai inundar cidades, provocar fluxos migratórios… Sorrimos ao sol, que vai provavelmente esturricar a nossa pele bronzeada, daqui a uns anos… mas apesar disso, a vida continua e é como se nada acontecesse…  

A Fundação Calouste Gulbenkian no livro Water and the Future of Humanity editado em 2014, consagra um capitulo do livro ao tema “The Anthropocene and Water”, onde se realça o papel destruidor que a humanidade tem vindo a exercer no planeta e onde “somos a primeira geração com o conhecimento de como as nossas actividades influenciaram o sistema da terra e, assim, a primeira geração com o poder e a responsabilidade de mudar a nossa relação com o planeta.” 

Mais de metade do carbono acumulado na atmosfera foi emitido nas últimas 3 décadas, exactamente as que se seguiram após termos sabido que aqueles gases são os principais responsáveis pelo aquecimento global… mas mesmo assim a vida continuou, e ou não nos disseram ou não quisemos saber…

Como diz a Sofia, os dinossauras também desapareceram.
Mas não creio que eles fizessem muita ideia das coisas… 

E tudo está a acontecer tão rápido, tão rápido que tenho receio que não nos dê tempo para nos esquecermos que nada está a acontecer e a vida simplesmente mudará…

Importa é a bateria no telemóvel, importa é o 5G, as trotinetas, as bicicletas a motor, os ubers e glovos… cada vez mais moles, controlados e preguiçosos… com uma preguiça tão grande que não nos faz mudar nada… consumismo… com sumismo… con su mismo… consigo mesmo

Como desde sempre nos mostrou, através do dia e da noite, será a natureza mais uma vez, a ditar o nosso mundo.

Entre 2040 e 2050, a cada dia que passar vamos aumentar a esperança de vida num dia.
… e eu pergunto-me, se com tantos avanços tecnológicos, tanto genoma, tanto IA, tanta biotecnologia e tantas outras ias, não conseguiremos alterar o cromossoma que faça com que a espécie humana seja mais isso, humana.

Afinal, o que nos torna humanos?

 

li algures, que a idade se conta pelas histórias que vamos somando ao longo da vida…

Faz hoje um mês que se foi… sim!, no dia 25 de dezembro, uma prenda para o resto da vida. Eu nunca gostei do Natal…  Aliás, partiu no dia 25, enterrou-se a 27 e faria 82 anos, no dia 29, se tivesse lá chegado. Um grande senhor, que por um acaso do destino, foi o meu pai.

…e de uma forma gastronómica e sociocultural, posso dizer que não desapareceu apenas o meu pai, mas sabores, doces e pratos que tive o prazer, eu e muitas outras pessoas, em ter saboreado, cheirado e degustado, abrindo sorrisos e reações de satisfação, que fizeram parte das histórias de casamentos, batizados e festas de tantas pessoas… Tanto que levas contigo, pai…

Desde muito novo, que acompanhava o meu pai, a carregar e levar pratos, mesas e talheres que proporcionaram, aqui e ali, as histórias de vida de muita gente. Não era fácil para uma criança lidar com aquele adulto capricorniano,  calado… mas aprendi tanto! Obrigado pai.

…e se há uma dor que não se pode tirar, também há uma revolta pela “forma” como morreu: pelo menos 22 minutos em agonia respiratória, porque uma enfermeira lhe enfiou uma sopa fria do almoço, com uma seringa pela boca abaixo, na posição horizontal às 16:20… um pobre ser que já mal tinha o reflexo de deglutição. Os hospitais não são centros humanos!  Apesar do respeito pela minha mãe, que assistiu a tudo e que me disse que nós não queremos o mal de ninguém, fiz queixa junto de algumas entidades. Porque estas coisas têm de se saber, porque temos e devemos reclamar – e não apenas nas conversas de café… sou humano e gostaria que coisas similares não acontecessem a mais ninguém futuramente.

Aqui há uns anos, a Associação Comercial de Elvas fez um jantar de homenagem ao meu pai, onde ele disse que gostava de bem servir os outros. Dizia isso, por vezes quando contava histórias curiosas de festas de casamentos e de outras festas que fez… de alguma forma, creio que me deixou isso na herança dos genes.

… questiono-me porque tive de ver o meu pai ir embora sem “ser ele”… mas sim um ser demente, frágil, indefeso e confuso, uma criança. Um homem forte e imponente como era… A resposta que encontro, ou uma das…  é que ele me quis mostrar que por mais… mais dinheiro, bens, títulos e coisas que possamos ser, não podemos nada contra a nossa vida e morte… seja ela qual for.

Mais do que um pai, perdi um grande amigo, que sempre me acompanhou, sempre acreditou em mim e sempre me deu uma segunda, terceira e quarta oportunidade… mas se perdi esse amigo, ganhei uma espécie de anjo, que me acompanha e com quem falo sozinho …  até já pai

A modos de conciliar algumas coisas numa só, aproveito a leva do teaser do projecto que mais me marcou neste ano: Vidas Clandestinas – grato a todos o que neles estiveram comigo e a quem esteve no público – e que deixa uma positiva mensagem de procurar novos caminhos. Um espectáculo que fala da historia do nosso pais – quer se seja amarelo, azul ou vermelho – é historia do teu passado aqui…

E é Na tal data que se desejam coisas boas e essas cenas assim, pois eu desejo que procuremos novos caminhos, transversalmente a tudo, novos caminhos que nos levem a cooperar em vez de competir, socialmente, politicamente, solidariamente, inclusivamente, novos caminhos que nos façam comunicar mais do que deduzir, novos caminhos, nem que sejam dentro de nós próprios, porque quer queiramos quer não, todos implicamos com com os caminhos de todos.
+ amor

Water Talks
Be Water! My Friend!

Para comemorar o lançamento, nesta sessão será feita uma retrospectiva do projecto O Homem que queria ser água – que promove uma sensibilização artística em torno da água e das questões ambientais. Um projecto com 7 anos de existência, apoio institucional da comissão nacional da Unesco, e que está na origem destas mesmas conferências. Desde o início do projecto, passando pelos espectáculos e acções: história, imagens, vídeos, até ao visionamento da animação hipermídia interactiva @gua_um conto digital, que foi reconhecida internacionalmente e faz parte da colectânea Electronic Literature Collection 3, da Electronic Literature Organization | Washington State University Vancouver. Será feita uma viagem por todo este projecto e universo artístico da água.

Desde já, sintam-se convidad@s 😉
A entrada é livre, com direito a um exemplar e sujeita a inscrição aqui: https://www.rocamail.com/pt/event.asp…