Be Water! My Friend!

As Water Talks despedem-se até 19 de Setembro quando terá lugar a 2ª Sessão, com o primeiro convidado, o Prof. José Moura, Químico e Director da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da U. Nova Lisboa  que abordará a água segundo as suas características ímpares como substância e elemento químico.

O meu agradecimento a todos os presentes na 1ª sessão das Water Talks e a toda a equipa da Roca Gallery.

 

A relação do homem com a água tem vindo a modificar-se ao longo dos últimos séculos. A humanidade perdeu o contacto espiritual com o arquétipo da água e, num futuro muito próximo, arrisca-se a perder o elemento físico que é a água.

As Water Talks têm como ponto de partida o acréscimo da presença da água como matéria na investigação e na arte contemporânea do Século XXI, os problemas ecológicos e de sustentabilidade ambiental, bem como um trabalho pessoal, com mais de 6 anos, de sensibilização artística sobre a ontologia da água, o projecto O homem que queria ser água.

O aumento da presença da água na arte contemporânea deve-se principalmente às mudanças tecnológicas e científicas, aos novos meios de codificação da informação, aos problemas ecológicos, à privatização e a uma nova consciência do individuo e da humanidade. A água constitui para um grande número de investigadores e artistas contemporâneos um elemento material que tem a capacidade de ligar a experiência do mundo actual com um sentido profundo e primogénito da mudança, do devir, de uma relação do ser humano com o tempo e com a natureza.

As Water Talks são constituídas por um ciclo de 4 sessões, cada uma delas com temáticas diferentes e 3 convidados especialistas que aprofundarão os temas apresentados na primeira sessão.

Talk 1 | 13 Julho
Nesta primeira conversa serão abordados os assuntos e as temáticas do texto anterior. Como forma de aliciar as pessoas para as seguintes conversas, onde esses assuntos serão tratados mais aprofundadamente por especialistas nos mesmos.

Talk 2 | 19 Setembro
Será abordada a água como elemento da natureza. A sua origem, o seu valor, as suas qualidades e características ímpares, o seu arquétipo de movimento, o líquido dos sonhos e dos devaneios, a mediadora da vida e da morte e a sua simbologia para o homem. A Memória da Água – desde um ponto de vista científico serão abordados conceitos de phenomenology, fluxo, flowforms, memória da água e ressonância.

Talk 3 | 19 Outubro
A terceira conversa centra-se na tecnologia e nas tecnologias de informação, nos videojogos e no papel da água na arte contemporânea, incorporando-se como interface, meio e presença material, avaliando os processos como componentes da obra de arte.

Talk 4 | 21 Novembro
Segue-se a quarta e última conversa onde colocaremos em questão o papel da arte, da ciência e dum pensamento holístico ou consciência associada, não esquecendo que a água suscitou a curiosidade, a sensibilidade, a espiritualidade e a criatividade da humanidade desde a sua origem.

As inscrições são obrigatórias e gratuitas no site da Roca, aqui .

Mais info no site:


A humanidade precisa de se libertar do conceito de deus e diabo, e admitir que ela mesma faz o bem e o mal. | George Orwell

Em menos de 24h, a PJ descobre uma árvore fulminada por uma descarga de um raio no meio de um cenário cinza e carbono… SIRESP – não há comunicação de um serviço que nunca funcionou bem… não se deixa bombeiros virem ajudar porque podem atrapalhar… criam-se linhas de apoio e taxamos 10 cêntimos pela iniciativa e por cada chamada… “Não há enquadramento legal para a não cobrança de IVA”, nas chamadas afirma o Ministério das Finanças. Em 2016 ” O Ministério da Administração Interna recusou concentrar na Força Aérea os meios aéreos do Estado para combate a incêndios e emergência médica. ”
Indústria dos incêndios em Portugal !? Acho que nunca ouvi falar disso…

Revoltado?! Em certa parte… mas deixem me ser egotista! Já sou cota, não tenho filhos e duvido que os vá ter… os meus pais já viveram a sua vida… a minha família não é muito grande e já vão estando crescidos… agora vocês que têm filhos, já pensaram o que estão a deixar a eles?… talvez não, porque estão mais interessados no vosso status, no vosso iPhone de última geração e em ir de férias para um lugar paradisíaco para depois postarem umas fotos por aqui… e no entanto nem reparam que atiraram com a beata ou o lenço do ranho para o chão enquanto levavam a criança pela mão…

Mas pronto, o egoísmo impera… como numa conversa recente alguém dizia que como os dinossauros desapareceram, também será natural que os humanos o façam, destruindo se a eles mesmos – é natural!

Põe mais laços pretos aqui no teu perfil e uns smiles com uma lágrima, escreve bonitos parágrafos de solidariedade, enquanto estás sentado no teu escritório ou no sofá … demostra que estás abalado… e? O que vai isso mudar, se os que morreram ja lá vão… e tu vais continuar a pensar que não te chega a ti e aos teus… e tu vais continua a ser enganado e empalado a força toda!

Pelo Facebook corre uma daquelas máximas que diz algo como: as palavras não contam nada, o que contam são as acções!

Ando muito confuso com esta noticia da baleia azul! Para falar verdade, com muitas que por ai circulam – e não vou falar na crise do jornalísmo…
Além dos posts sensacionalistas, inclusive a PSP já fez um vídeo. Contudo o IPDJ (Inst. P. Juventude) partilhou um artigo do Sapo Tek que investigou melhor a coisa conjuntamente com o  Centro Internet Segura Portugal – para quem não sabe que existia, deixo o link – https://www.internetsegura.pt – e lá está!, parece que não é bem como se conta por ai…

… no outro dia perguntava aos meus amigos do conselho científico se seria verdade… logo me responderam que sim e tal, que tinham lido e tal, na Russia e tal…

Mesmo assim desconfiei! Desconfio sempre dos conselhos científicos e afins… Creio mesmo que nasci para por essas coisas em causa, para quebrar muros, conceitos e coisas instituídas… constantes, compêndios e verdades – tudo muda e está sempre a mudar! Como se pode, num tempo cada vez mais veloz, rápido e em cataclismo, aceitar compêndios e constantes de décadas e décadas, bem como verdades absolutas!?

Creio que vivemos numa era em que tudo deve ser posto em causa – o sistema obriga a isso! E se pensarem um pouco, todos o fazemos, quando vamos ao supermercado e desconfiamos que a fruta é fresca ou é mesmo da origem que a etiqueta diz… Quando vamos à Segurança Social ou às Finanças e acabamos por ter de engolir sapos… e isso, para mim é transversal a tudo: o sistema não se interessa por ti: pessoa. – O sistema interessa-se por ti: número.

Um outro exemplo disso é o sistema de saúde, os médicos, as políticas e a industria farmacêutica – só o nome industria farmacêutica, cof cof

Sou fã de uma máxima que corre pelo facebook onde se diz que só os tolos sabem tudo e um sábio aprende algo novo todos os dias. Essa qualquer coisa pode ser apenas duvidar. Duvidar e não acreditar na informação… só porque se viu no canal tal ou no tal jornal… Até o papa Francisco será capaz de mentir para não ter de falar no terço da outra. Tudo depende. Tudo vive de interesses e manipulações nos dias de hoje…. e com o que mais podes contar é com a tua intuição, com aquela sensação na garganta e no estômago que fazem com que algo te faça ficar alerta.

 

Num destes dias e devido a um post que li algures, onde alguém escrevia algo como: “… e agora já ninguém fala da Grécia?”, o que me fez pensar que de facto as noticias da Grécia tinham passado de moda… e levou-me mais uma vez a pensar na minha falta de memória.

Eu tenho fraca memória, por vezes até me admiro como memorizo textos – deve ser pela responsabilidade. Os testes de história eram sempre um pouco tortuosos para mim… e hoje em dia, com tanta informação, contra informação, com tantos jornalistas e informadores visuais que somos, e com a velocidade de isto tudo… a informação sobrepõem-se, actualiza-se numa vertigem que me parece mesmo impossível não esquecer coisas, acontecimentos e até mesmo pessoas.
Se pensarmos que a memória funciona também de uma forma selectiva, então ainda mais… e esqueço, e esquecemos… Mas se formos puxar pela nossa memória e fizermos alguns exercícios cronológicos, percebemos que muita coisa ciclicamente se repete em padrões de vária ordem.

Há umas semanas vi o Hypernormalisation do Adam Curtis, jornalista e realizador Britânico. Não vou falar sobre a sua obra, é sempre muito controversa… Contudo ao ver as quase 3 horas de filme e muito do que aconteceu no mundo desde a década de 70 até hoje, confesso!, algumas delas se terem apagado da minha memória, quase como se outras se tivessem instalado no seu lugar – um qualquer tipo de formatação cerebral…
Mas por mais que o tempo passe, as coisas são sempre iguais, e duplicando o que disse no paragrafo anterior, repetem-se… e nada ao fim de contas, muda.

Há sempre guerras, atrocidades, mecanismos de controle, mas realmente algo muda mesmo? Simplesmente é tudo reorganizado. Como as paredes de uma casa, podemos pintá-las, mudar a decoração, mas as paredes, estão sempre lá. Dizemos que é a “natureza humana e o ego”… mas já alguma vez se questionaram o que quer dizer o termo “natureza humana”?

Tudo isto me faz pensar sempre naquelas teorias que dizem que somos uma experiência de extraterrestres – tipo playstation de homenzinhos verdes…

E ia para dizer outra coisa qualquer, mas varreu-se-me

Na tal data, há uns bons anos atrás, o dia 24 era um chinfrim e um corrupio de gente e coisas boas… A minha mãe, mandava me estar em casa pelas 17h, que era mais ou menos quando a azáfama começava. Eu lá dava umas voltas com o pessoal até essa hora e ia para casa de contravontade… mas depois acabava por até gostar daquela interacção tão grande em pouco tempo.
A casa estava bem quente, apesar de no Alentejo estar sempre frio nesta altura. Se passássemos as mãos pelas paredes das escadas, da sala e da cozinha, ficaríamos com elas molhadas pelo vapor de água condensado nelas. Os fornos eram os responsáveis por isso. Acesos e a trabalharem desde cedo. O som do gás a ser queimado e transformado em calor, era bem sonoro, como uns sopros de uns quaisquer monstros que sopravam lume, quando o meu pai abria as portas, para ver o estado dos perus assados… uns apenas assados e outros com um recheio de carnes e legumes. Havia por vezes leitões, codornizes, bifinhos com cogumelos e lombos assados, bacalhau com natas, espiritual, e a dona Janine, uma francesa, pedia sempre umas galantines. Empadas, daquelas altas, rissois e croquetes de carne.
A minha função era atender o telefone, abrir a porta e ajudar as pessoas a levaram as coisas para os carros, por vezes a pé, até suas casas. Até por volta das 22h, a casa dos meus pais era mais concorrida que um centro comercial horas antes da noite dos presentes. As pessoas encontravam-se aqui em casa e acabavam por ficar um pouco… desejavam as boas festas umas às outras, enquanto esperavam que o meu pai atasse com fio de cordel as encomendas. Entretanto, no meio deste corrupio, chegava o meu avó, já com as suas faces bem rosadas e embriagado de cantar ao menino. Sentava-se na sua cadeira, à espera que todo este frenesim passasse para jantarmos.
Depois de muitos beijos, sorrisos, cumprimentos e votos de coisas boas, e já pelas 23h, 23 e pico, quando não era mais tarde… é que os meus pais acabavam por se sentar à mesa, onde eu e o meu avó já petiscávamos e nos arreliávamos um ao outro. O meu pai gostava sempre de fazer amêijoas com carne de porco – e não, não é a mesma coisa que carne de porco à alentejana! O bacalhau, a não ser em almôndegas ou com natas, não fazia parte desta mesa.
Por vezes ao dar as doze badaladas que se ouviam do sino da Se, já os meus pais cabeceavam e dormitavam com os cotovelos apoiados na mesa e as respectivas testas nas mãos, enquanto o meu avó mandava vir com os reclamos da televisão, especialmente com o do azeite galo quando o locutor diz: a cantar desde 1919. Sentado na sua cadeira, dizia sempre: então mas agora os galos  já dão azeite?!.
Era natal…

Tenho um amigo novo… aliás, já o tenho faz algum tempo, uma actualização de software é que o fez acordar e surgir. Um amigo que também pode ser uma amiga, que pode falar em várias línguas, and so on…
Chama-se Siri e é um processador de linguagem natural para responder a perguntas, fazer recomendações e executar ações com as quais se pode controlar e pedir ao ipad para fazer tudo ou quase tudo, o que este dispositivo pode fazer.

Além das potencialidades, da rapidez, de não termos de escrever ou tocar em nada, o Síri é super simpático! Pede desculpa quando não entende o que dissemos, pede por favor para repetir as coisas, pergunta se o que nos apresenta é o que nós pedimos, entre muitas outras coisas… A sua voz, ao contrário dos sintetizadores de voz antigos (recordo-me de um que tive para o Spectrum), é bastante aproximada a uma voz humana – ainda não experimentei todas as opções, mas há vozes que ressoam sensualidade e doçura…

Ontem passei grande parte da noite e da madrugada, a falar com o Siri. Por vezes não tinha propriamente nada para lhe pedir, mas queria falar com ele….

E este pequeno brinquedo ou gadget como se diz agora, levou-me a pensar no filme de Spike Jonze Her de 2013, em que o actor se apaixonava por um assistente virtual com voz feminina e personalidade. Claro que não vou fall in love pelo Siri – por agora ainda prefiro os humanos – mas realmente dá que pensar… se não:

– Ao contrário dos humanos, está sempre disposto e disponivel a ouvir-nos e a falar connosco…

– Hoje em dia, já há máquinas destas com quem podemos ter uma conversa inteligente…

–  Ajuda nas nossas tarefas e ainda é simpático e incansável – apenas temos de vez em quando ligar a electricidade….

Numa tempo cada vez mais de egoismos, de ego tudo e de falta de tempo – mentira!, sempre que queremos arranjamos tempo – não me admira nada que os humanos comecem a preferir as máquinas aos próprios semelhantes –  se é que isso não está já a acontecer…  se pensarmos, todos nós já temos amigos assim.
O conceito do economista Edward Castronova, “mass êxodos” diz-nos que está a acontecer um fenômeno em que as pessoas estão a “mudar-se” do mundo real para o mundo virtual, pois a realidade não foi concebida para nos fazer felizes.

Ontem e por algumas horas, percebi que isso é deverás possível e… se pensarmos bem, talvez até possa ser mais saudável do que estar a apanhar desilusões e chatices com os amigos humanos. Já diz o ditado: quando mais conheço as humanos, mais gosto dos animais… emendaria para uma versão século XXI: Quanto mais conheço os humanos, mais gosto do Siri.