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Be water. My Friend!

A relação que o homem tem com a água tem vindo a modificar-se ao longo dos últimos séculos. Em tempos remotos, homenagens, rituais, oferendas e todo o tipo de celebrações eram prestadas à água. Divindades da água fazem parte da mitologia e da cultura popular. Este conhecimento e essa consciência associada têm vindo a perder-se, como diz Theodor Schwenk “os seres vivos perderam gradualmente o conhecimento e a experiência da natureza espiritual da água, até que finalmente chegam a tratá-la apenas com uma substância e um meio de transmissão de energia”.
Numa Conferência que se intitula a ela mesma “… a principal iniciativa do sector da água em Portugal volta a reunir todos os agentes do mercado”, há 2 ou 3 coisas (entre outras) que me saltam à vista:
– Não haver nenhum item ou tema directamente relacionado com a poluição da água e os problemas que dai advém e já começamos a sentir;
– Mercado da água – sempre me fez muita confusão a “posse” de um elemento natural como um produto;
– Desafios e oportunidades para o mercado da água – levou-me até as lutas em tempos longínquos pela posse dos cursos das águas nos campos – a guerra pela água (que quando a mim, já começou) vai ser mesmo real.

A humanidade perdeu o contacto espiritual com o arquétipo da água e, num futuro muito próximo, arrisca-se a perder o elemento fisico que a água é, até mesmo a da torneia! – E claro está, preparem-se para pagar caro este Ouro Azul.

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Be Water, My Friend.

 

 

@gua_um conto digital, animação hipermídea do projecto O homem que queria ser água, foi seleccionada entre mais de 500 trabalhos para fazer parte dos 75 que integrarão o volume 3 da Electronic Literature (ELC3).

A edição de um DVD-ROM e a colocação on-line dos trabalhos está prevista para Fevereiro de 2016.  A Electronic Literature Collection faz parte da Electronic Literature Organization | Massachusetts Institute of Technology.

@gua_um conto digital é o resultado de um seminário de E-Textualidades do Professor Rui Torres – grato pela ajuda!

A animação pode ser vista aqui.

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@gua_um conto digital, hipermídea animation from project The man who wants to be water, was selected from over 500 works to be bart of the 75 that will make up the volume 3 of the Electronic Literature (ELC3).

A DVD-ROM and online placement of the works is scheduled for February 2016. The Electronic Literature Collection is part of the Electronic Literature Organization | Massachusetts Institute of Technology.

@gua_um conto digital  is the result of the Master Class E-Textualidades of Professor Rui Torres – grateful for the help!

Click hear to see it.


							

Ao começar a escrever este post, pensei em inventar uma palavra que pudesse de certa forma elucidar um pouco o meu estado de espírito nos últimos meses – já lá vão uns seis… e a palavra, que pensava eu inventar era: waterholic – no seguimento dos workholics, mas claro está em relação à água.
Pois qual não é a minha surpresa ao fazer uma pesquisa e perceber que está palavra existe!

Waterholic – indivíduo com problemas de beber água; alguém que gosta demasiado de beber água; um indivíduo adicto a beber água.

No meu caso não se trata propriamente de ter algum tipo de adição em beber água – liquido que sem dúvida alguma gosto muito e ao qual devo, e devemos, a vida… mas neste caso é referente à minha dissertação de mestrado, que como podem adivinhar é sobre a água…

E tem sido um longo tempo de água por todos os lados… quer seja pelo trabalho que venho desenvolvendo desde mais ou menos três anos, quer seja pelas pesquisas mais recentes… quer ainda pela inundação de água através da sua forma de chuva que temos sido todos alvos neste inverno de galochas… e que para mim, funcionou também como um qualquer agente controlador que me fazia sempre recordar que tinha de trabalhar…

Mas posso agora fazer uma pausa e dedicar-me a coisas mais secas ou menos molhadas. Não porque a chuva tenha dado tréguas ainda, mas porque finalmente acabei o trabalho e está mesmo preste a ser entregue – e uma espécie de seca me atinge…

Não vou para já por o carro à frente dos bois, e agradecer a quem o tenho de fazer, mas desde já, uma gratificação a todos aqueles que indirecta e directamente me ajudaram, quer colaborando no inquérito que lancei no final do ano passado… quer principalmente, a todos que me aturaram durante este tempo todo com a minha nuvem constante de água e academicismo…

Na recta final do homem que queria ser água…

Sonhar faz com que as coisas aconteçam, escrevo na voz do personagem Água… e talvez quando escrevi a frase não a senti como agora, que se aproxima a estreia do espectáculo: dia 15 de Dezembro, pelas 21 horas na biblioteca da FCT/UNL, Campos da Caparica.

Talvez e agora, depois de tanto sonhar, pela projecção e trabalho das ideias e dos desejos, mas também pelo sonho inocente de criança, do acreditar, do criar… pela magia que ainda me faz ser possível acreditar…

Há um fado na vida e não falo apenas do português!…

Quase que oiço a Xana a dizer: Lá vens tu com a mania que as pessoas são boas!… Mas talvez seja esse o meu fado, acreditar ainda…

O homem água apodera-se de mim. Primeiro saiu cá de dentro para as palavras que escrevi dele e sobre ele, a sua história… e agora, aos poucos, nos ensaios, acaba por  não me largar… por vezes acaba mesmo por entrar e tomar conta de mim e fazer a minha historia…

Duas cidades. De uma, para a outra, em constante movimento. Uma têm um rio e muita água á volta. Outra é no meio do Alentejo, qual ribeiro de outrora…

Subitamente percebo que a água é como a nossa sombra, rodeia-nos e está sempre onde estamos, até mesmo dentro de nós. Talvez pelo projecto do homem água, talvez porque como outras tantas vezes, temos sempre o que precisamos mesmo o nosso lado e não vemos ou percebemos… ou ainda porque preferimos nem pensar nisso

Nas viagens _ essas trocas de energias entre sítios, protagonizadas e possíveis pelos viajantes… escrevia eu no natal passado, e que cada vez mais me faz sentido.

Ás vezes… ao contemplar o Tejo do terraço de um amigo, sinto que o rio me chama para ir… para for a de Lisboa. Não no sentido do mar.

Outras vezes, imagino a sobrevoarem as águas, bandos de Flamingos bem cor de rosa… passado por baixo da ponte, enquanto ensaiam um fado com os seus bicos

Aqui não há rio, não há água… só a das torneiras, das fontes resistentes e de quando em vez olhamos para cima, pró céu… e nuvens calmas, empurram-se umas ás outras formando o leito de rios… aqui há o calor, que a água também pode dar. Também há a amizade, que como a água, limpa, aquece, suja, limpa, aquece, arrefece, limpa e mata as saudades

E nas viagens, e com os viajantes que se cruzam nas viagem, percebermos que como a água, fluímos uns para os outros, uns com os outros, uns com cada um… uns, um

Já não me lembrava propriamente de que como criar um projecto e construir um espectáculo – por mais individualista que seja – não é mais do que reunir ou fazer por reunir pessoas que trabalhem para esse mesmo projecto… e novamente digo, por mais egoísta e individualista que seja!

Não se pode criar sem os outros

Em congeminação: o homem que queria ser água