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E foi preciso ir-se embora para um mês depois, ao entrar no mesmo café onde longos anos, quase todos os dias bebia os seus cafés, lhe perguntarem pela primeira vez: Está tudo bem consigo?
As pessoas são assim, precisam de sentir a ausência.

Todas as flores são lindas. Elas começam por ser uma semente ou uma espécie de gérmen com ou sem casca. Vão furando, vão abrindo caminho para florirem, para respirarem e sentirem o ar e o mundo, para crescerem. Para mostrarem as suas pétalas, para dançarem com o vento, para manifestarem as suas cores ao sol, para embriagarem quem as cheira com o seu perfume, para tomarem banhos de lua e orvalho. Para se limparem com as gotas da água da chuva. Para comunicarem umas com as outra em movimentos mágicos.

Mas estar fora da casca dessa semente e ser flor, além da maravilhosa experiencia da vida, ali, para as outras plantas, para os insectos, para o mundo… Uma flor, corre o risco da intempérie, corre o risco de um animal a lastimar, corre o risco de uma inundação, corre o risco das secas, corre o risco de uma abelha a esvaziar, corre o risco de ser arrancada por alguém e ir parar a uma espécie de caixão. Uma planta para servir o seu esplendor aos outros, fica disponível, disponível demais.

E seria tão mais fácil para qualquer flor ter escolhido ser apenas uma semente.

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Mal nos quer o teatro, quando por vezes nos deixa mazelas, nódoas negras, inchaços, dissabores e coisas tais… Já muitas vezes tenho pensado que há pelo menos dois tipos de actores: os que tem nódoas negras e os que as não têm…  não vou discutir quais dos dois são mais virtuosos! – creio que não se quantificam por isso – mas sem duvida que as nódoas negras conferem que o actor se deixa ir no que está a fazer, perde a sua parte racional para se deixar ir…

Mal me queres vai dar á luz na quinta feira dia 3 de Novembro, com todas as nódoas negras, mazelas, virtuosismos, erros, dissabores e vontades que oscilam entrem o texto do João Santos Lopes e o palco da própria vida – sim, porque o teatro não se fica só pelos palcos…

Num espectáculo em constante tensão e onde se tocam temas ainda, e provavelmente sempre, delicados desta sociedade que teima em não mudar… Num mundo ainda tão negro, mas que se pinta sempre com cores… onde tudo e todos pecamos na escuridão, mas á luz do dia e dos outros, tornamo-nos flores – e como elas, aos poucos, as pétalas que vão caindo ou são arrancadas,  deixam ver a verdadeira flor de que somos feitos…

Sintam-se convidados a este jardim : )

  

‘MAL ME QUERES’, 2º Prémio INATEL, 2000.
Um texto onde o desamor, a frieza de sentimentos, a fuga para comportamentos sociais perigosos, no seio duma família disfuncional são a pedra de toque desta teia de relações que, sem apego, revoltada, falsamente apaixonada e traída encontrará, no final um caminho menos penoso.
Ao abordar temas fracturantes da sociedade portuguesa (prostituição, droga, homossexualidade, abuso de menores…) e sem que sobre eles exerçamos qualquer juízo, contribui a ‘a bruxa TEATRO’ para a sua saudável e necessária discussão.

Figueira Cid

Encenação de Figueira Cid, assistência de encenação de Mirró Pereira, cenografia e figurinos de Gabriela Prates et alli, operação de luz e som de João Piteira e interpretação de Ana Leitão, António Abernú, Carolina Parreira, Figueira Cid e Mirró Pereira.

Estreia dia 3 Novembro. De 4a feira a Domingo até dia 19. 21:30, Domingos ás 16h. Info e reservas: abruxateatro@gmail.com | 266 747 047