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O Teatro, para quem me conhece, sabe que me mudou a vida – e não importa estar agora a nomear os porquês… Contudo, e mesmo ao fim de mais de vinte anos desta vida de inquietação, alegrias, ilusão, sobrevivência e confronto interior, comigo mesmo e com o mundo, sou ainda surpreendido e bajulado por esta arte que transcende a condição humana… por esta arte que não conhece fronteiras, línguas, povos ou idealismos – e por favor, deixem está criança que ainda sou, e sempre serei, sonhar!

No passado mês de Fevereiro, estreou em Lima no Peru: Incendios de Wajdi Mouaward, onde um dos actores da peça: Alberto Isola, usa em cena na sua personagem uns sapatos que foram meus…

… quando nos encontramos em Lisboa, faz um ano e pouco e devido ao temporal que estava, dei-lhe uns sapatos a calçar, pois os dele estavam encharcados e acabei por lhos oferecer…

Agora servem “outros” pés em cena… agora fazem-me sentir longe daqui…

Muchas gracias, querido amigo 🙂

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Quando as portas dos teatros de abrem… o teatro vem para a rua ou a vida entra para o palco?

Ontem as portas da Bruxa Teatro, em Évora, abriram-se para deixar entrar a musica e as rimas do Dj Badja e as cores dos aerossóis do Writer Ship.

Inquestionável a iniciativa! Não só pela criação artística em tempo real – que vai ficar exposta na fachada do teatro, mas pela comunhão – e creio que é aqui um bom termo para ser utilizado – por quem lá passou, que entre conversas, curiosidade, uma bebida, apoio ou mera distracção, revigoraram  aquele espaço e provavelmente sem o saberem criaram pontes para futuros…

Questionável, para mim e mais uma vez, a função do Teatro nos nossos dias –usar o pouco dinheiro que existe em espectáculos herméticos feitos para o umbigo de quem os faz e seus amigos ou abrir as portas… Desmistificando e levando o que se faz para as ruas, para as escolas, instituições e lugares não convencionais. Onde todos possam vivenciar novas experiências e sensações, que eventualmente nos levem a todos a outros mundos mais democráticos, transdisciplinares e humanos…

Seja como for e por mais uma vez, tiro o chapéu ao Figueira Cid, pela abertura e vontade de outras cores e sabores…