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Serpa é quente! É tão quente que nós trazemos o calor connosco…

Foi a Nora que nos chamou, já cansada e ferrugenta, lá do alto, como os galos de outrora, gritou e chamou por nós… Lá fomos. Numa viagem demorada – creio que o caminho para Serpa é sempre longo, sempre me pareceu… Ás vezes chego mesmo a pensar que o é – e funciona como uma descompressão.

Quando se chega o quente apanha-nos. O quente da terra, das paredes brancas que ao fim da tarde transpiram o sol do dia, para quem passa. O quente da amizade, dos sorrisos bem dispostos de quem nos espera com os braços abertos e um copo de tinto, entre saudades que se matam calmamente…

Já em ritmo de concerto, o B Fachada diz que é sempre muito bem recebido por lá e eu penso e arrisco sentir que estou em família.

Mais uma vez obrigado Baal´es pelo vosso acolhimento e dedicação, pelo calor que nos dão… Vim embora ontem, mas ainda não cheguei por completo – há bocados de mim que ainda andam por ai à Nora

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O Alentejo parece que tem sempre a porta aberta, para nos receber…lá vamos nós, sozinhos ou em grupo, sempre com um propósito…sempre somos esperados ou por quem lá está ou por quem lá esta para ir embora… mas esperados, como se alguma espécie de laço, sentimento ou emoção ditasse essa mesma razão.

E vamos. Viajamos para lá…viajamos na espera de quem chega, na vontade de ir num jogo contra a saudade de ficar e o saudosismo nos que ficam. O Alentejo agarra, cola ao corpo com o vento que passa a sua calma, a sua paz disfarçada… as pedras da calçada fazem sentir a terra escura avermelhada que fértil germina vida e força… as vozes são curtas e fortes, que num misto de simpatia e confiança, mostram na sombra das paredes a estranheza, o pensamento que se lhes adivinha… caminhamos serenos, sabendo que não estamos sozinhos, mesmo na madrugada fria, à sempre um ruído que nos acompanha, o vento, um pássaro, alguém que espia… no Alentejo de Serpa cria-se coisas, como em todo o Alentejo, mas aqui levamos fortemente com a sua disfarçada paz… aqui sentimos ao passar nas ruas que já nada volta a trás, como as portas e os vasos que se seguem uns aos outros, tudo passa e tem para passar… aqui dói ter de sentir, por vezes, esse mesmo passar, mesmo quando se sente um vazio de nada haver para fazer. Respiramos num copo de vinho, com olhares no sorrisos dos outros e nos lamentos do que somos ali, das ansiedades que combatemos e queremos serenar… no Alentejo os olhos ficam lá, nas imagens, nas paisagens, na cara das pessoas, nas rugas, nas mãos ásperas, na pele queimada, no sorrir matreiro… os olhos e os corações também ficam, nas saudades…no bater que já não é igual a antes, por não se estar lá, talvez por saudades, talvez porque o Alentejo e quem por lá está é mesmo assim, bonito

…nesta rua, e neste mesmo lado da rua, um pouco abaixo da placa, há uma porta larga que dá para uma sala com potes antigos e mesas de madeira escura…nesta rua e depois desta sala, é uma sala grande, acolhedora, com uma lareira, muitas mesas, cheiros do campo e de enchidos, às vezes canela… e caras simpáticas… nesta rua e nesta sala grande, comemos divinalmente, gulosamente até… por vezes chupamos mesmo os dedos… nesta sala há um acolhimento e uma paz…há sempre a vontade de ir e ser recebido e presenteado com manjares alquimistas… há sempre uma palavra sorridente… há sempre um adeus até logo… nesta sala do molha o bico da rua quente da placa da singer em Serpa