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Theatre | Communication | Water

Um dos meus Mestres, Eimuntas Nekrosius, disse que retratar em palco a loucura ou uma deficiência, é sempre um grande risco – pode estar alguém no público com o mesmo “problema” e o nosso trabalho pode tornar-se ridículo…
Mas… quem não gosta de riscos? 🙂

Em O Portão, talvez a loucura retratada, seja mais um estado psicossomático ou mesmo um estado de espírito, consequência do efeito dos nossos medos, receios e muros que nos criamos a nós próprios e carregamos anos e anos…  ou ainda daqueles episódios que vincaram a nossa infância…
Aceitarmo-nos como somos, é complicado. Por vezes, saber o que somos, ainda o é mais.

E como gostamos de desafios, lá fomos por aí fora… partindo do texto do Alexandro, para o universo que o Sérgio estava a cocriar. Curiosamente, 23 anos depois do Sérgio começar como actor no teatro, comigo a encenar – o mundo gira mesmo, e agora é ele o encenador – a quem sou grato por me aturar e por tudo e tudo.
Ao nosso lado na caminhada, o fiel escudeiro Edmilson, que também é um bom companheiro de trabalho… e que várias vezes me fez recordar a mim mesmo noutros tempos… Quem nos embala a caminhada é o Renato, dando acordes aos nossos passos. Num dos ensaios, fez-nos a todos entrar em transe, juro!
A Inês que nos vestiu de bonitos e ainda o Pedro, que nos irá fazer brilhar por completo.

Talvez suscetível por tantos exemplos nos palcos e nos ecrans, mas ainda assim, acredito que os estados de loucura têm algo de dança – o cérebro comanda e coordena o corpo – e essa dança, seja ela como for, é uma conexão com mundos, íntimos, alguns desconhecidos, alguns especiais…
Não vou dançar o tango!, mas o personagem que faço, deixasse desengonçadamente levar por um vibrar interior femenino, de desejo, de paixão, de loucura? 

A proposta cénica inclui o público (65 pessoas), juntamente com os actores no palco.
Até vão conseguir cheirar o suor…
Um espectáculo que será uma experiência nova para mim…  pois uma das paredes do espetáculo é uma espécie de vazio infinito…

Por agora, é só no Teatro Municipal da Covilhã, nos dias 8, 9 e 10 Setembro.
O espectáculo tem algo de Samuel Beckett, David Lynch e do Psycho do Hitchcock. 
É um bom regresso a este palco, onde muito tempo já passei.

Eu se fosse a vocês…ia ver 🙂

Bilhetes disponíveis em: https://ticketline.sapo.pt/evento/asta-o-portao-66942

No início eram os rolos…

Um desafio que colocou alunos, professores e a própria escola, na colecta dos vulgares rolos de papel higiénico, que em vez de irem para a reciclagem ou para o lixo, funcionariam como matéria prima para a criação de toda a parte plástica do espectáculo, num processo de desenvolvimento do potencial criativo.

Os rolos do papel higiénico, ao alcance de todos sem qualquer tipo de discriminação, conjuntamente com o teatro, serviram como meio para desenvolver o interesse pela escola e uma maior consciência social sobre os problemas que rodeiam os alunos e todos nós – recicARTE.

Um processo que visou despertar o interesse dos alunos pela arte, pelo meio ambiente e pela reciclagem, foi importante para a ASTA como dinamizadora, fazer com que o maior número de alunos se envolvessem no trabalho – não interessando as suas habilidades e virtuosidades, mas sim a sua vontade de participação.

O planeta está a mudar – nome escolhido pelos alunos – é o resultado de um trabalho que foi de encontro às preferências e vontades dos alunos, fazendo-os responsáveis pelas suas

próprias decisões. Um trabalho que dividiu os alunos em dois grupos: um de intervenientes no espectáculo e um outro de criativos e executores de adereços, máscaras e dispositivo

cénico. Desta forma os alunos puderam vivenciar novas experiências e novas sensações, colocando-as em prática, através de toda a criação do espectáculo.

Num qualquer dia das nossas cidades, num qualquer bairro… uma cientista, um varredor, um polícia e uma empregada de limpeza, equacionam o comportamento do homem em

relação ao lixo que faz e ao papel que cada um têm de ter numa sociedade mais sustentável e amiga do ambiente e dos animais. A conversa, em gênero de fábula, conta com a opinião e crítica de animais à ação humana.

Um processo de educação pela arte, onde o teatro serviu como alerta e sensibilizador, sobre questões relacionadas com o meio ambiente, a sustentabilidade e a reciclagem, fomentando-lhes uma maior consciência social e ambiental.

Abertura do Festival Ensinarte de 6 a 12 de Junho no Teixoso, Mostra reciclARTE, 15 junho em Gouveia e na Rota das Formigas, Junho em Fornos de Algodres.

No início era a água…

“Desde a sua origem, que aconteceu posteriormente ao big-bang, a molécula de água na forma de vapor, formou parte da atmosfera primogénita até que um dia, há mais de 4 mil biliões de anos atrás, a temperatura desceu o suficiente para que o vapor de água condensasse e um imenso oceano desprendeu-se dos céus, surgindo assim depois do primeiro dilúvio, o planeta que ainda hoje é azul quando visto dos céus.”

Água, Arte e Consciência no Séc XXI, António Abernú

Num projecto que visa despertar o interesse dos alunos pela arte, pelo meio ambiente e pela reciclagem, a água e o seu imenso universo, tinham de ser desenvolvidos. Quer pela sua importância e imponência vital na vida, quer pelo mercado das empresas de água engarrafada. Responsáveis por toneladas de plástico das suas garrafinhas, garrafas e garrafões de água e suas tampas e tampinhas. Não esquecendo as novas oportunidades do mercado, em relação a este bem precioso do planeta e de todos nós.

O planeta da água – nome escolhido pelas alunas – é um manifesto performativo. 
A informação sobre a água, serve de suporte para a criação de imagens e sensações através da performance das atrizes, alertando e sensibilizando. Assim, dados científicos, particularidades e toda a simbologia da água são retratadas de uma forma plástica, metafórica e poética. Reciclando objectos do nosso quotidiano, em adereços e mensagens do espectáculo. Com o objectivo de fazer as pessoas pensar e quem sabe… olhar e preservar a água com mais consciência e responsabilidade.

Um processo dividido em várias etapas, partindo do texto científico, até à sua implementação no teatro. Uma experiência abrangente para as alunas, capacitando-as de ferramentas de trabalho futuro. Um trabalho realizado em tempo record, onde todas as pessoas envolvidas no projecto, estão de parabéns. 

Foi importante para a ASTA, envolver as alunas além das suas virtuosidades ou habilidades, mas sim para vivenciarem novas experiências e novas sensações, envolvendo-se e dando forma a um trabalho criativo e de maior consciência social e ambiental, num processo pedagógico de educação pela arte.

No dia 11 fazem a apresentação no Teatro Cine de Gouveia.. As apresentações para o público em geral serão integradas no Festival Ensinarte de 6 a 12 de Junho no Teixoso, Mostra reciclARTE, 15 junho em Gouveia e na Rota das Formigas, Junho em Fornos de Algodres.

No início era a caixa…

Um desafio que colocou todos os alunos do 8º B do Agrupamento de Escolas de Fornos de Algodres no mesmo ponto de partida: arranjar caixas de cartão, que em vez de irem para a reciclagem ou para o lixo, funcionaríam como objecto e adereço artístico a ser trabalhado num processo de desenvolvimento do potencial criativo.
As caixas, ao alcance de todos sem qualquer tipo de discriminação, conjuntamente com o teatro e as suas ferramentas, serviram como meio para desenvolver o interesse pela escola e uma maior consciência social sobre os problemas que rodeiam os alunos e todos nós – reciclARTE | ASTA.

Num processo que visou despertar o interesse dos alunos pela arte, pelo meio ambiente e pela reciclagem, foi importante para a ASTA e para mim como dinamizador do projecto, fazer com que o maior número de alunos se envolvessem no trabalho – não interessando as suas virtuosidades e habilidades, mas sim a sua vontade de participação. Vivenciado novas experiências, novas sensações e dando-lhe ferramentas, voz e poder de decisão, em todo o processo criativo. [A turma tem 20 alunos; os 20 vão participar no espectáculo – nunca existiu qualquer tipo de obrigação/imposição para fazer parte.]

SOS Terra – nome escolhido pelos alunos – é o resultado de um trabalho realizado num tempo record, onde alunos, professores e a escola, estão de parabéns!
Duas tribos vivem em harmonia e sustentabilidade, até ao dia em que uma delas, gananciosamente, tenta exercer o monopólio do mundo onde vivem – nada que não vejamos no nosso quotidiano… A ambição de uma tribo, origina uma revolta por parte da outra e uma guerra, destruindo assim um mundo onde todos eram felizes.

Uma metáfora ao mundo e à humanidade, que ao longo dos tempos, têm vindo a apoderar-se e destruir o planeta. Também é uma forma de dar voz a estes jovens adultos, consciencializando-os para que possam planear um melhor futuro como adultos e responsáveis pelo planeta. 


Um processo de educação pela arte, onde o teatro serviu como alerta e sensibilizador para os alunos, fomentando-lhes uma maior consciência social e ambiental. O enquadramento nas disciplinas lectivas e o envolvimento dos professores, foi também um factor de valorização e consistência do processo. Onde também o teatro quebrou barreiras, integrando, desafiando e levando à descoberta de novas experiências… mostrando outras perspectivas, expandindo horizontes… e trabalhando em função e com o indivíduo e a  comunidade. 

Na quinta feira dia 7 de Abril farão 2 apresentações para os colegas e professores da escola. As apresentações para o público em geral serão integradas no Festival Ensinarte de 6 a 12 de Junho no Teixoso, Mostra reciclARTE, 15 junho em Gouveia e na Rota das Formigas, Junho em Fornos de Algodres.

Be Water! My Friend!

A água entrou na minha vida desde o útero da minha mãe, como também a todos vocês, mas mais propriamente no ano de 2011, em 15 de Dezembro, pelas 18 horas, no espaço Ágora da Biblioteca da FCT, Campus da Caparica, quando foi feita a primeira apresentação do espectáculo O homem que queria ser água. Um convite do Professor José Moura, director da biblioteca, ao qual serei sempre grato por ter acreditado no meu trabalho e por me ter levado a criar todo este projecto em torno da água e das questões ambientais. E já lá vão 10 anos…

Talvez tenha sido em Abril desse ano que tudo se tenha iniciado. E recordo bem uma reunião inicial que tive com o professor, em que estava muito contente porque tinha encontrado, antes de tudo o resto, o nome do espectáculo: O homem que queria ser água. E ele perguntou-me automaticamente, o porquê do homem se querer transformar em água. Aquela questão tornou-se uma aflição e inquietação para mim durante algumas semanas – encontrar a justificação para tal facto. E foi aí que a minha vida mudou. Mudou a minha consciência pela magnitude e grandiosidade da água e com isso, toda uma visão holística deste elemento ímpar. 

Comecei uma investigação e pesquisa sobre o elemento ímpar que é a água, de uma forma científica, histórica, simbólica, metafísica, espiritual, tecnológica e artística também, bem como toda a problemática ambiental em seu torno – ainda pouco se falava nas questões ambientais. Nomes como Gaston Bachelard, Philip Ball, Titus Burckhardt, Fritjof Capra, Luis Veiga Cunha, James Lovelock, Theodor Schwenk e tantos outros, foram para mim uns guias e fizeram-me fluir por todo o universo da água – o bem mais precioso que temos.

Sem dúvida que a minha vida mudou. Como creio que mudaria a de qualquer um de vós, ao estudar este elemento de uma forma mais profunda – pois o que nos ensinam na escola fica muito aquém do valor e da importância que este elemento tem nas nossas vidas: desde os sonhos até aos chips dos telemóveis, passando pelo seu inquestionável papel na sociedade e nos sistemas. A água é transformação, metamorfose, regeneração formal, articulação da vida e da morte.

E desde o dia 15 de Dezembro de 2011…e desde o espectáculo de teatro O homem que queria ser água, o projecto foi crescendo, transformando-se, metamorfoseando-se, articulando-se – como a água – em mais criações, pesquisas, propostas, sensibilizações e formações sobre este elemento.

Hoje em dia o projecto O homem que queria ser água, conta com dois espetáculos de teatro: O homem que queria ser água e ÁguaFontes, um conto infantil: O rapaz que se transformou em água, um Alternate Reality Game: L´Áqva, uma animação hipermídia, reconhecida internacionalmente: @gua um conto digital, uma tese de Mestrado em Ciências da Comunicação: Água, Arte e Consciência no Séc XXI – O papel da tecnologia no fluxo da natureza, as Conferências Water Talks, que deram origem a uma publicação em papel e digital como o mesmo nome, um projecto online: Vídeo-Teatro + Water Quiz e um artigo académico, escrito pelo Professor Rui Torres e Rúben Ferreira: “Watery Narratives: Ecological Education and Narrative Transposition in António Abernú´s < O homem que queria ser água>.

Durante estes 10 anos, foram mais de 45 pessoas e instituições que se juntaram e colaboraram com o projecto, espectáculos de teatro, acções de sensibilização e conferências que serviram como missão de sensibilização para este elemento único que continuo a acreditar, poderá levar-nos a um outro estado de consciência sobre o mundo e sobre o ser humano.

Obrigado a Tod@s!

Se o autor da foto a vir, diga sff!

Não é fácil escrever nestes tempos…o mundo mudou tanto e em tão pouco tempo, que me parece que ainda há muita coisa que não só não encaixou, como não encontrou forma de encaixar em nós… o mudou mudou e está a mudar, é como se conduzisse um carro sem travões, o acidente é eminente e nisso se tem tornado a vida… mas como se diz muito agora, os benefícios são maiores do que os prejuízos – algum padrão sobre a morte que me escapa aqui…

A inquietação de interrogar se vale a pena, se precisamos de tanto, de tanta velocidade, de tanta merda que por ai anda… Gosto de ouvir o vento. Sempre disse que ao ouvir o vento, ouvem-se histórias e mensagens de outros tempos e de tempos próximos, mesmo ao nosso lado… Também o vento está diferente, tem muito ruído obtuso… como dizia antes, que há muita coisa a não encaixar, também as historias de outros tempos e dos vizinhos do vento, são elas agora uma amálgama estranha, os desequilíbrios são transversais e pensar que se é o único que não esta equilíbrio e a bater bem da tola, esvai-se num abrir e pisar de olhos. 

Saudades dos tempo da confiança e da partilha, do sorriso e do vinho….a vida mudou tanto que não sei mais onde é que vivo ou até, por vezes, o que é viver… Os dados deixaram de ser nossos…e na perspectiva da culpa, essa é sempre nossa…as liberdades estão muito pouco livres e o controle a entrar por caminhos pouco ou nada controláveis, diria mesmo presos ou escravos… es Cravos de abril.