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Se o autor da foto a vir, diga sff!

Não é fácil escrever nestes tempos…o mundo mudou tanto e em tão pouco tempo, que me parece que ainda há muita coisa que não só não encaixou, como não encontrou forma de encaixar em nós… o mudou mudou e está a mudar, é como se conduzisse um carro sem travões, o acidente é eminente e nisso se tem tornado a vida… mas como se diz muito agora, os benefícios são maiores do que os prejuízos – algum padrão sobre a morte que me escapa aqui…

A inquietação de interrogar se vale a pena, se precisamos de tanto, de tanta velocidade, de tanta merda que por ai anda… Gosto de ouvir o vento. Sempre disse que ao ouvir o vento, ouvem-se histórias e mensagens de outros tempos e de tempos próximos, mesmo ao nosso lado… Também o vento está diferente, tem muito ruído obtuso… como dizia antes, que há muita coisa a não encaixar, também as historias de outros tempos e dos vizinhos do vento, são elas agora uma amálgama estranha, os desequilíbrios são transversais e pensar que se é o único que não esta equilíbrio e a bater bem da tola, esvai-se num abrir e pisar de olhos. 

Saudades dos tempo da confiança e da partilha, do sorriso e do vinho….a vida mudou tanto que não sei mais onde é que vivo ou até, por vezes, o que é viver… Os dados deixaram de ser nossos…e na perspectiva da culpa, essa é sempre nossa…as liberdades estão muito pouco livres e o controle a entrar por caminhos pouco ou nada controláveis, diria mesmo presos ou escravos… es Cravos de abril.

The Desterrado

StampStorys é um projecto que começou com uma caixa de selos antigos, deixada pelo meu pai. Selos que por si só, são um objecto artístico que conta histórias e contam a história.
Mas quantas e quais outras histórias podemos contar com eles?
Esse foi o desafio: partir das imagens, do seu contexto e recriar outras imagens e outras histórias. Fundindo épocas, figuras históricas e acontecimentos, em novas personagens, ficcionados pelas narrativas encontradas nessa descoberta.

“The Desterrado” é a primeira e uma das infinitas histórias que se podem contar com estes selos. Onde a construção de uma narrativa, foi gerada pela observação e estimulo encontrado em cada selo, que levou a outro, a outra ideia, a outra história. E esta viagem originou um assalto. Um assalto alucinado com os suspeitos do costume. Um desfilar de personagens e dos seus universos de acção. Recriando e criando um enredo ficcional onde se mistura por vezes, o tempo real do selo com um outro, sugerido pela imaginação.


Em “The Desterrado”, a única historia real, é a da existência da estátua e a fotografia de Soares dos Reis, tudo o resto é uma fusão e ficção recriada.

Site do projecto | https://stampstorys.wixsite.com/desterrado

Talvez eu possa estar enganado… mas sinto e digo.
Acaba hoje um ano, um estranho ano, a todos os níveis. Para mim um ano de mudanças e sobrevivência – deixei Lisboa em Abril para não ter tantas despesas e dar apoio à minha mãe. De entre os meus colegas da cultura, talvez não me posso queixar, consegui apoios- sim consegui!, porque me tive de candidatar – não são propriamente apoios! E não chegaram a tantos outros…

Um ano que se percebe que muita coisa não funciona bem… Um ano em que percebemos que falta muita coisa… Um ano em que os governos mostraram as suas garras… escolhendo proibir, ludibriar e conter em vez de elucidar e consciencializar – e por favor não me venham com coisas, pois nem todos temos o mesmo discernimento, nem a mesma formação, para perceber sem mais… E a nossa função – dos que percebemos, e a dos que estão acima de nós – é explicar o porquê, é ter a coragem de dizer os porquês… Mesmo porque aqueles que não percebem, provavelmente já perceberam outras coisas noutros tempos… mesmo provavelmente porque aqueles que não sabem, já permitiram que os que agora sabem, tivessem tido essa oportunidade do conhecimento… Sempre apreendi que por mais responsabilidade e hierarquia que fosse uma posição ou um cargo, a responsabilidade era sobremaneira maior para com os outros também…

Nada pára, tudo gira e se transforma… E não se esqueçam que muitas vezes os fins são os princípios e que não somos mais que ninguém… e se formos, acabamos por definhar como os outros, seja por um vírus seja pela forma de ser e agir – a vida e o universo podem tardar, mas não falham…

Um ano em que percebemos que este governo sobre cultura, é só mesmo copos – aqueles que eles gostam de beber com os artistas enquanto fazem uma selfi.. Porque depois pagar o que apregoam, levam demasiados meses para fazê-lo, se o fizerem… Mas adoram propagandear que compremos cultura, nestes tempos. Com que dinheiro, pergunto eu… porque as contas dos artistas e das pessoas em geral, não existem só enquanto estão nas ribaltas…

Um ano em que a ciência foi tão louvada e tão necessária que não sei bem o que é agora – uma espécie de venda de banha da cobra de uns tipos que se chamam experts em tudo mesmo em conhecimento científico e erro – porque a ciência também vive de erros, avaliações, métodos e tempo para os seus resultados….e não se esqueçam que muitas vezes a ciência falhou.

Um ano de tanta coisa e de nada, porque provavelmente o que é mais importante ainda não inoculou os braços, as veias ou os corações… E os interesses, os individualismos, os oportunismo e e as corrupções, creio bem que cresceram…
Um ano em que as máscaras não caíram, mas se multiplicaram vezes sem conta, provocando um distanciamento ainda maior entre os seres humanos… Cada vez são mais os obstáculos da comunicação e o problema não é só das redes sociais…

Um ano que que crianças deixaram de o poder ser…
Um ano de grandes negócios!… As grandes empresas e grandes companhias ainda cresceram mais… e nem falo na indústria farmacêutica… Um ano em que muitas pessoas preferiram sofrer e talvez até morrer em casa, com o medo de outras doenças… com o medo da pouca disponibilidade dos profissionais, que só tinham ordem para o vírus – e sei na pele, com a minha mãe, do que falo.

Um ano que não foi um ano, foi uma eternidade… Uma eternidade que se propaga… porque parece, que esta nova ciência e inteligência, não são suficientes e válidas para impedir os outros gestos que já nos fomos habituando na nossa rotina diária… e porque parece, que pior que este, virão mais…
Um ano em que tanto falta falar… e em que até falar, se tornou polémico e equaciona a diferença e as liberdades de pensar

Posso estar enganado no que digo, eu disse…
Mas ainda assim, desejo mesmo um Bom Ano para todos nós

Faz hoje 9 anos que “deu à luz” o personagem Agua e o projecto O homem que queria ser água. Foi num fim de tarde frio de Dezembro de 2011, no espaço Agora da Biblioteca da FCT, Campus da Caparica. Um texto que foi escrito durante esse ano, onde vagamente se começava a falar nas alterações climáticas no nosso quotidiano. Apesar de alguns cientistas, as terem relatado em finais do século XIX – não nos podemos esquecer que elas também são parte da “evolução” natural do planeta e não apenas uma consequência do homem.

O personagem Agua diz no seu discurso:
“A água potável para consumo acabará em breve, o que é uma ameaça para o planeta e para a própria vida de todos nós. Não apenas pela ausência da própria água, mas porque não demorará muito para o mundo entrar em guerra por causa dela. As grandes potências mundiais e os seus exércitos precisam de água para crescer e aumentar o seu poder político e mundial. A água pode questionar os sistemas, as políticas e a sociedade em geral.”

E um exemplo disso, foi o passado dia 7 de Dezembro que, muito provavelmente, será recordado como um dos dias mais terríveis na história da Humanidade. 

Com certeza que será recordado quando se tentar explicar a causa de futuras guerras,  (atenção que desde tempo remotos, sempre houve guerras por causa da posse da água e de terrenos férteis nela…) migrações, crises humanitárias e sociais e, do aumento do abismo entre ricos e pobres.
Desde dia 7, que a água passou a ser um recurso cotado na bolsa de Wall Street. O que quer dizer, trocado por miúdos, que o preço da água para os consumidores, deixa de reflectir e taxar apenas, os custos de captação, tratamento, transporte e distribuição… e passa também a contar com os lucros das empresas que vêm beneficiando da privatização destes serviços – um dos grandes mercados em expansão nos últimos anos. A “água de todos” ficará cada vez mais dependente dos movimentos obscuros de grandes grupos de investimento. E por cá não será ou é, diferente…

A água, principalmente a que se encontra nos oceanos, é um grande regulador da temperatura do planeta Terra. Entre 2010 e 2019, fez mais calor do que nunca, conforme o relatório do estado do clima da Organização Meteorológica Mundial, passámos a década mais quente desde que existem dados (1850).
A subida da temperatura média da Terra na última década, teve graves consequências para o planeta:

– O nível do mar atingiu em outubro de 2019, o seu valor mais alto desde que começou a ser medido com precisão em 1993. Ao descongelamento do Ártico, devemos acrescentar o da Antártida, que acelerou a partir de 2016 e agravou-se em 2019.

– A temperatura oceânica bateu recordes entre 2016 e 2019. Este aquecimento elevou a acidificação dos mares em 26% em relação a 1750, contribuindo para a destruição dos ecossistemas marinhos.

– Intensificaram a nível global as secas, as inundações e outras catástrofes climáticas, que originaram milhares de mortes e sete milhões de deslocamentos internos em áreas como África, Ásia e no Caribe.

– Em 2019, foram registradas ondas de calor inéditas em boa parte do mundo.

A temperatura do planeta em 2019 esteve ao redor de 1,1 ºC acima dos níveis pré-industriais. Os cientistas estimam que quando a temperatura global, aumentar 1,7°C, a escassez de água poderá afectar entre 2,4 a 3,1 mil milhões de pessoas e dentro de 4 anos, cerca de dois terços do mundo poderá sofrer quebras no abastecimento de água. Já pensou que poderá ser uma delas?

Voltando a este dia e ao projecto… recordo e acentuo, o convite para o visionamento de o O homem que queria ser água | Vídeo Teatro – não é teatro, não é só uma animação, não é um filme… é um vídeo. Podem ver no quentinho da vossa casa, com os vossos filhos e família. No final podem ainda, testar o vosso conhecimento sobre este elemento vital, num quiz didáctico.


Um projecto artístico, baseado em investigação cientifica, em que criei um personagem que através do seu sonho e do seu mundo, pretende alertar, esclarecer e consciencializar as pessoas para o bem impar que é a água, a sua importância no planeta e na nossa vida.
… e durante estes 9 anos de projecto, o sonho do personagem, sempre foi e é – ainda – o meu propósito também.


Boas festas!

http://www.homemagua.com

Confesso que ando confuso, o que não me parece mau de todo, a confusão faz-me pensar e equacionar.

Todos os tempos, são de dúvidas, incertezas e inquietações. Mas de grande dúvida, são as épocas conturbadas em que desaparecem as grandes referências e as grandes certezas de sentido. Os homens oscilam, na procura de respostas, na procura de orientação e de alguma segurança, agarrados ao seu devir.
Já Aristoteles dizia algo como: a dúvida é o principio da sabedoria. Descartes converte a dúvida no meio indispensável para a procura do conhecimento.

Tempos esses – estes – que são também de inquietações, tipo, metafísicas, oriundas da ruptura do normal da vida social… são sobretudo difíceis para aqueles que se mostram mais frágeis, ficando por vezes á deriva, tornando-se um alvo fácil e procurados, pelas variadas formas de sedução, propaganda e engano.

A procura da verdade e das certezas, continua como preocupação e objectivo do espirito humano, mesmo quando o acto de pensar se torna algo raro.

Com tudo isto, tem vindo a crescer um universo de patologia social, entre outras razões, porque a socialização dos nosso dias não produz personalidades devidamente estruturadas, capazes de resistiram aos medos, interesses e lideraram caminhos e novas ideias. 

E chegamos a um tempo em que se pode ver conjuntamente e no mesmo sitio ou espaço, informação de número de mortes, selfie’s s das máscaras da moda, webinare’s de culinária, um concerto da avozinha e opiniões de técnicos expertos em esperteza vazia, tudo junto… sem qualquer tipo de ponderação, um descontrole de uma sociedade que se “alavanca” disfuncional. 

Os governos em pouco ou nada ajudam… desacreditados, muitas vezes numa deriva pior que a dos seus cidadãos, com lacunas existenciais de comunicação cientifica e institucional para o século e os desafios que atravessamos… onde se usa mais o discurso do medo, a auto responsabilização e a punição, do que a consciencialização de, e para as medidas a tomar… em que a confiança é um valor que já era… e o acreditar, é um acto heróico desesperado ou não seja este o tempo das fake news, da corrupção instituída e da justiça nada justa.

Houve, desde sempre, quem se tenha apresentado como sábio e detentor de toda a verdade. Uma tendência actual, proporcional à presunção do saber… Ninguém aceita passar por ignorante! Não é rara, a confusão entre o saber adequado das coisas e a emissão de uma mera opinião. E uma opinião, de cientifico pouco ou nada tem… além de não existir nada mais perigoso do que a certeza de se ter razão. E há tantas razões cegas por ai, que estão sempre prontas e alerta, para na primeira oportunidade, apontar, afiar as garras e disparar…
Não há uma explicação global da realidade ou das realidades.

E estamos con_finados a tensões, mentiras, agressões, provocações que dividem pessoas, amigos, instituições, na maioria das vezes sem proveito algum e esquecendo que a partilha do conhecimento – não a sátira – e a organização social levem sempre muito mais longe que os egos, as certezas e os interesses de cada um.

A democratização da voz dos pensamentos e dos indivíduos, é uma dadiva dos nossos tempos… tempos esses em que se põe em causa o alcance da liberdade dessas vozes… um tempo em que a democracia e as suas valias, tantos pensamentos e vozes contrariam.

Um das coisas que me faz regressar à minha infância e inicio da adolescência, são os duches de água fria, que não é fria, mas morna… pois o meu pai, há muitos anos – como tantos pais do Alentejo – colocou um depósito de água no terraço, que claro está, passa o dia a levar com o sol e aquece a água. Como tantos pais, porque me recordo que nessa altura, toda a gente que podia, o fazia. Para termos sempre água… lembro-me que nessa altura havia cortes e contenções de água – uma coisa que infelizmente, vai entrar na moda daqui a uns tempos…

E de banho em banho… também me recordo muito de chapinhar no Guadiana. Para a Ajuda, pra Belver, pro meio do mato. Era uma grande festa. Mais na altura da Páscoa, quando os dias aumentam e aquecem, e tudo começa a fluir. Aos domingos, aos feriados, na segunda feira de rebolar o vale.
Íamos muito cedo, ás vezes ia na camioneta do Julio da Vidreira. Levávamos de tudo… desde cavaletes e pranchas de madeira para fazermos mesas, todo o tipo de pitéus e guloseimas, até à Coca Cola e Fanta espanholas, bem como os Camping gaz para nos dar luz depois do por do sol e aquecerem a comida.
A Anica, o Luís Banana, a Guida, a Marta, o Martinho… bem!, éramos tantos e apareciam sempre mais… Parecíamos uma trupe de saltimbancos, com o estaminé que montávamos, a cumplicidade, as anedotas e a boa disposição.

Pensando bem… talvez a minha vida profissional tenha começado nessa altura… ou talvez ainda não tenha deixado de ser adolescente. Sem dúvida que sou muito do que sou – e grato – por aqueles momentos e por todas aquelas pessoas e energias.

Não havia telemóveis, nem tablets, nem… Só nós e a natureza e as nossas vontades. A criatividade passava pelos paus e pelas pedras, pelas correrias e rebolares encosta abaixo, pelos mergulhos frescos, pelas aproximações às vacas e as imitações dos seus sons.

Por estes dias o Guadiana é um refugio de fim de tarde… longe de todas as possibilidades de contágios…  Já não corro como naquela altura, mas continuo a brincar aos saltimbancos… fazendo exercícios de equilíbrio e concentração em cima de montes de pedras, meditando e camuflando-me com a mãe terra,  apurando a voz para emitar o som das vacas, dos patos que passam a voar e o salto dos peixes na água – pronto!, imagino como será o movimento deles, enquanto me deixo boiar dentro de água.

E sem duvida que trago ideias, que as utilizo no que tenho, entre mãos a fazer…