Monthly Archives: Dezembro 2020

Talvez eu possa estar enganado… mas sinto e digo.
Acaba hoje um ano, um estranho ano, a todos os níveis. Para mim um ano de mudanças e sobrevivência – deixei Lisboa em Abril para não ter tantas despesas e dar apoio à minha mãe. De entre os meus colegas da cultura, talvez não me posso queixar, consegui apoios- sim consegui!, porque me tive de candidatar – não são propriamente apoios! E não chegaram a tantos outros…

Um ano que se percebe que muita coisa não funciona bem… Um ano em que percebemos que falta muita coisa… Um ano em que os governos mostraram as suas garras… escolhendo proibir, ludibriar e conter em vez de elucidar e consciencializar – e por favor não me venham com coisas, pois nem todos temos o mesmo discernimento, nem a mesma formação, para perceber sem mais… E a nossa função – dos que percebemos, e a dos que estão acima de nós – é explicar o porquê, é ter a coragem de dizer os porquês… Mesmo porque aqueles que não percebem, provavelmente já perceberam outras coisas noutros tempos… mesmo provavelmente porque aqueles que não sabem, já permitiram que os que agora sabem, tivessem tido essa oportunidade do conhecimento… Sempre apreendi que por mais responsabilidade e hierarquia que fosse uma posição ou um cargo, a responsabilidade era sobremaneira maior para com os outros também…

Nada pára, tudo gira e se transforma… E não se esqueçam que muitas vezes os fins são os princípios e que não somos mais que ninguém… e se formos, acabamos por definhar como os outros, seja por um vírus seja pela forma de ser e agir – a vida e o universo podem tardar, mas não falham…

Um ano em que percebemos que este governo sobre cultura, é só mesmo copos – aqueles que eles gostam de beber com os artistas enquanto fazem uma selfi.. Porque depois pagar o que apregoam, levam demasiados meses para fazê-lo, se o fizerem… Mas adoram propagandear que compremos cultura, nestes tempos. Com que dinheiro, pergunto eu… porque as contas dos artistas e das pessoas em geral, não existem só enquanto estão nas ribaltas…

Um ano em que a ciência foi tão louvada e tão necessária que não sei bem o que é agora – uma espécie de venda de banha da cobra de uns tipos que se chamam experts em tudo mesmo em conhecimento científico e erro – porque a ciência também vive de erros, avaliações, métodos e tempo para os seus resultados….e não se esqueçam que muitas vezes a ciência falhou.

Um ano de tanta coisa e de nada, porque provavelmente o que é mais importante ainda não inoculou os braços, as veias ou os corações… E os interesses, os individualismos, os oportunismo e e as corrupções, creio bem que cresceram…
Um ano em que as máscaras não caíram, mas se multiplicaram vezes sem conta, provocando um distanciamento ainda maior entre os seres humanos… Cada vez são mais os obstáculos da comunicação e o problema não é só das redes sociais…

Um ano que que crianças deixaram de o poder ser…
Um ano de grandes negócios!… As grandes empresas e grandes companhias ainda cresceram mais… e nem falo na indústria farmacêutica… Um ano em que muitas pessoas preferiram sofrer e talvez até morrer em casa, com o medo de outras doenças… com o medo da pouca disponibilidade dos profissionais, que só tinham ordem para o vírus – e sei na pele, com a minha mãe, do que falo.

Um ano que não foi um ano, foi uma eternidade… Uma eternidade que se propaga… porque parece, que esta nova ciência e inteligência, não são suficientes e válidas para impedir os outros gestos que já nos fomos habituando na nossa rotina diária… e porque parece, que pior que este, virão mais…
Um ano em que tanto falta falar… e em que até falar, se tornou polémico e equaciona a diferença e as liberdades de pensar

Posso estar enganado no que digo, eu disse…
Mas ainda assim, desejo mesmo um Bom Ano para todos nós

Faz hoje 9 anos que “deu à luz” o personagem Agua e o projecto O homem que queria ser água. Foi num fim de tarde frio de Dezembro de 2011, no espaço Agora da Biblioteca da FCT, Campus da Caparica. Um texto que foi escrito durante esse ano, onde vagamente se começava a falar nas alterações climáticas no nosso quotidiano. Apesar de alguns cientistas, as terem relatado em finais do século XIX – não nos podemos esquecer que elas também são parte da “evolução” natural do planeta e não apenas uma consequência do homem.

O personagem Agua diz no seu discurso:
“A água potável para consumo acabará em breve, o que é uma ameaça para o planeta e para a própria vida de todos nós. Não apenas pela ausência da própria água, mas porque não demorará muito para o mundo entrar em guerra por causa dela. As grandes potências mundiais e os seus exércitos precisam de água para crescer e aumentar o seu poder político e mundial. A água pode questionar os sistemas, as políticas e a sociedade em geral.”

E um exemplo disso, foi o passado dia 7 de Dezembro que, muito provavelmente, será recordado como um dos dias mais terríveis na história da Humanidade. 

Com certeza que será recordado quando se tentar explicar a causa de futuras guerras,  (atenção que desde tempo remotos, sempre houve guerras por causa da posse da água e de terrenos férteis nela…) migrações, crises humanitárias e sociais e, do aumento do abismo entre ricos e pobres.
Desde dia 7, que a água passou a ser um recurso cotado na bolsa de Wall Street. O que quer dizer, trocado por miúdos, que o preço da água para os consumidores, deixa de reflectir e taxar apenas, os custos de captação, tratamento, transporte e distribuição… e passa também a contar com os lucros das empresas que vêm beneficiando da privatização destes serviços – um dos grandes mercados em expansão nos últimos anos. A “água de todos” ficará cada vez mais dependente dos movimentos obscuros de grandes grupos de investimento. E por cá não será ou é, diferente…

A água, principalmente a que se encontra nos oceanos, é um grande regulador da temperatura do planeta Terra. Entre 2010 e 2019, fez mais calor do que nunca, conforme o relatório do estado do clima da Organização Meteorológica Mundial, passámos a década mais quente desde que existem dados (1850).
A subida da temperatura média da Terra na última década, teve graves consequências para o planeta:

– O nível do mar atingiu em outubro de 2019, o seu valor mais alto desde que começou a ser medido com precisão em 1993. Ao descongelamento do Ártico, devemos acrescentar o da Antártida, que acelerou a partir de 2016 e agravou-se em 2019.

– A temperatura oceânica bateu recordes entre 2016 e 2019. Este aquecimento elevou a acidificação dos mares em 26% em relação a 1750, contribuindo para a destruição dos ecossistemas marinhos.

– Intensificaram a nível global as secas, as inundações e outras catástrofes climáticas, que originaram milhares de mortes e sete milhões de deslocamentos internos em áreas como África, Ásia e no Caribe.

– Em 2019, foram registradas ondas de calor inéditas em boa parte do mundo.

A temperatura do planeta em 2019 esteve ao redor de 1,1 ºC acima dos níveis pré-industriais. Os cientistas estimam que quando a temperatura global, aumentar 1,7°C, a escassez de água poderá afectar entre 2,4 a 3,1 mil milhões de pessoas e dentro de 4 anos, cerca de dois terços do mundo poderá sofrer quebras no abastecimento de água. Já pensou que poderá ser uma delas?

Voltando a este dia e ao projecto… recordo e acentuo, o convite para o visionamento de o O homem que queria ser água | Vídeo Teatro – não é teatro, não é só uma animação, não é um filme… é um vídeo. Podem ver no quentinho da vossa casa, com os vossos filhos e família. No final podem ainda, testar o vosso conhecimento sobre este elemento vital, num quiz didáctico.


Um projecto artístico, baseado em investigação cientifica, em que criei um personagem que através do seu sonho e do seu mundo, pretende alertar, esclarecer e consciencializar as pessoas para o bem impar que é a água, a sua importância no planeta e na nossa vida.
… e durante estes 9 anos de projecto, o sonho do personagem, sempre foi e é – ainda – o meu propósito também.


Boas festas!

http://www.homemagua.com