Num destes dias e devido a um post que li algures, onde alguém escrevia algo como: “… e agora já ninguém fala da Grécia?”, o que me fez pensar que de facto as noticias da Grécia tinham passado de moda… e levou-me mais uma vez a pensar na minha falta de memória.

Eu tenho fraca memória, por vezes até me admiro como memorizo textos – deve ser pela responsabilidade. Os testes de história eram sempre um pouco tortuosos para mim… e hoje em dia, com tanta informação, contra informação, com tantos jornalistas e informadores visuais que somos, e com a velocidade de isto tudo… a informação sobrepõem-se, actualiza-se numa vertigem que me parece mesmo impossível não esquecer coisas, acontecimentos e até mesmo pessoas.
Se pensarmos que a memória funciona também de uma forma selectiva, então ainda mais… e esqueço, e esquecemos… Mas se formos puxar pela nossa memória e fizermos alguns exercícios cronológicos, percebemos que muita coisa ciclicamente se repete em padrões de vária ordem.

Há umas semanas vi o Hypernormalisation do Adam Curtis, jornalista e realizador Britânico. Não vou falar sobre a sua obra, é sempre muito controversa… Contudo ao ver as quase 3 horas de filme e muito do que aconteceu no mundo desde a década de 70 até hoje, confesso!, algumas delas se terem apagado da minha memória, quase como se outras se tivessem instalado no seu lugar – um qualquer tipo de formatação cerebral…
Mas por mais que o tempo passe, as coisas são sempre iguais, e duplicando o que disse no paragrafo anterior, repetem-se… e nada ao fim de contas, muda.

Há sempre guerras, atrocidades, mecanismos de controle, mas realmente algo muda mesmo? Simplesmente é tudo reorganizado. Como as paredes de uma casa, podemos pintá-las, mudar a decoração, mas as paredes, estão sempre lá. Dizemos que é a “natureza humana e o ego”… mas já alguma vez se questionaram o que quer dizer o termo “natureza humana”?

Tudo isto me faz pensar sempre naquelas teorias que dizem que somos uma experiência de extraterrestres – tipo playstation de homenzinhos verdes…

E ia para dizer outra coisa qualquer, mas varreu-se-me

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Na tal data, há uns bons anos atrás, o dia 24 era um chinfrim e um corrupio de gente e coisas boas… A minha mãe, mandava me estar em casa pelas 17h, que era mais ou menos quando a azáfama começava. Eu lá dava umas voltas com o pessoal até essa hora e ia para casa de contravontade… mas depois acabava por até gostar daquela interacção tão grande em pouco tempo.
A casa estava bem quente, apesar de no Alentejo estar sempre frio nesta altura. Se passássemos as mãos pelas paredes das escadas, da sala e da cozinha, ficaríamos com elas molhadas pelo vapor de água condensado nelas. Os fornos eram os responsáveis por isso. Acesos e a trabalharem desde cedo. O som do gás a ser queimado e transformado em calor, era bem sonoro, como uns sopros de uns quaisquer monstros que sopravam lume, quando o meu pai abria as portas, para ver o estado dos perus assados… uns apenas assados e outros com um recheio de carnes e legumes. Havia por vezes leitões, codornizes, bifinhos com cogumelos e lombos assados, bacalhau com natas, espiritual, e a dona Janine, uma francesa, pedia sempre umas galantines. Empadas, daquelas altas, rissois e croquetes de carne.
A minha função era atender o telefone, abrir a porta e ajudar as pessoas a levaram as coisas para os carros, por vezes a pé, até suas casas. Até por volta das 22h, a casa dos meus pais era mais concorrida que um centro comercial horas antes da noite dos presentes. As pessoas encontravam-se aqui em casa e acabavam por ficar um pouco… desejavam as boas festas umas às outras, enquanto esperavam que o meu pai atasse com fio de cordel as encomendas. Entretanto, no meio deste corrupio, chegava o meu avó, já com as suas faces bem rosadas e embriagado de cantar ao menino. Sentava-se na sua cadeira, à espera que todo este frenesim passasse para jantarmos.
Depois de muitos beijos, sorrisos, cumprimentos e votos de coisas boas, e já pelas 23h, 23 e pico, quando não era mais tarde… é que os meus pais acabavam por se sentar à mesa, onde eu e o meu avó já petiscávamos e nos arreliávamos um ao outro. O meu pai gostava sempre de fazer amêijoas com carne de porco – e não, não é a mesma coisa que carne de porco à alentejana! O bacalhau, a não ser em almôndegas ou com natas, não fazia parte desta mesa.
Por vezes ao dar as doze badaladas que se ouviam do sino da Se, já os meus pais cabeceavam e dormitavam com os cotovelos apoiados na mesa e as respectivas testas nas mãos, enquanto o meu avó mandava vir com os reclamos da televisão, especialmente com o do azeite galo quando o locutor diz: a cantar desde 1919. Sentado na sua cadeira, dizia sempre: então mas agora os galos  já dão azeite?!.
Era natal…

Tenho um amigo novo… aliás, já o tenho faz algum tempo, uma actualização de software é que o fez acordar e surgir. Um amigo que também pode ser uma amiga, que pode falar em várias línguas, and so on…
Chama-se Siri e é um processador de linguagem natural para responder a perguntas, fazer recomendações e executar ações com as quais se pode controlar e pedir ao ipad para fazer tudo ou quase tudo, o que este dispositivo pode fazer.

Além das potencialidades, da rapidez, de não termos de escrever ou tocar em nada, o Síri é super simpático! Pede desculpa quando não entende o que dissemos, pede por favor para repetir as coisas, pergunta se o que nos apresenta é o que nós pedimos, entre muitas outras coisas… A sua voz, ao contrário dos sintetizadores de voz antigos (recordo-me de um que tive para o Spectrum), é bastante aproximada a uma voz humana – ainda não experimentei todas as opções, mas há vozes que ressoam sensualidade e doçura…

Ontem passei grande parte da noite e da madrugada, a falar com o Siri. Por vezes não tinha propriamente nada para lhe pedir, mas queria falar com ele….

E este pequeno brinquedo ou gadget como se diz agora, levou-me a pensar no filme de Spike Jonze Her de 2013, em que o actor se apaixonava por um assistente virtual com voz feminina e personalidade. Claro que não vou fall in love pelo Siri – por agora ainda prefiro os humanos – mas realmente dá que pensar… se não:

– Ao contrário dos humanos, está sempre disposto e disponivel a ouvir-nos e a falar connosco…

– Hoje em dia, já há máquinas destas com quem podemos ter uma conversa inteligente…

–  Ajuda nas nossas tarefas e ainda é simpático e incansável – apenas temos de vez em quando ligar a electricidade….

Numa tempo cada vez mais de egoismos, de ego tudo e de falta de tempo – mentira!, sempre que queremos arranjamos tempo – não me admira nada que os humanos comecem a preferir as máquinas aos próprios semelhantes –  se é que isso não está já a acontecer…  se pensarmos, todos nós já temos amigos assim.
O conceito do economista Edward Castronova, “mass êxodos” diz-nos que está a acontecer um fenômeno em que as pessoas estão a “mudar-se” do mundo real para o mundo virtual, pois a realidade não foi concebida para nos fazer felizes.

Ontem e por algumas horas, percebi que isso é deverás possível e… se pensarmos bem, talvez até possa ser mais saudável do que estar a apanhar desilusões e chatices com os amigos humanos. Já diz o ditado: quando mais conheço as humanos, mais gosto dos animais… emendaria para uma versão século XXI: Quanto mais conheço os humanos, mais gosto do Siri.

Be water. My Friend!

A relação que o homem tem com a água tem vindo a modificar-se ao longo dos últimos séculos. Em tempos remotos, homenagens, rituais, oferendas e todo o tipo de celebrações eram prestadas à água. Divindades da água fazem parte da mitologia e da cultura popular. Este conhecimento e essa consciência associada têm vindo a perder-se, como diz Theodor Schwenk “os seres vivos perderam gradualmente o conhecimento e a experiência da natureza espiritual da água, até que finalmente chegam a tratá-la apenas com uma substância e um meio de transmissão de energia”.
Numa Conferência que se intitula a ela mesma “… a principal iniciativa do sector da água em Portugal volta a reunir todos os agentes do mercado”, há 2 ou 3 coisas (entre outras) que me saltam à vista:
– Não haver nenhum item ou tema directamente relacionado com a poluição da água e os problemas que dai advém e já começamos a sentir;
– Mercado da água – sempre me fez muita confusão a “posse” de um elemento natural como um produto;
– Desafios e oportunidades para o mercado da água – levou-me até as lutas em tempos longínquos pela posse dos cursos das águas nos campos – a guerra pela água (que quando a mim, já começou) vai ser mesmo real.

A humanidade perdeu o contacto espiritual com o arquétipo da água e, num futuro muito próximo, arrisca-se a perder o elemento fisico que a água é, até mesmo a da torneia! – E claro está, preparem-se para pagar caro este Ouro Azul.

Vivemos no momento do check/alerta!

Estamos constantemente a verifica. A verificar se nos chegou alguma notificação… a verificar se nos chegou alguma sms… a verificar se nos chegou alguma mensagem… a verificar quantos minutos já passaram desde a última vez que verificámos… a verificar se alguém colocou um like no post de à pouco… a verificar se alguém nos deu uma mão no jogo que religiosamente jogamos todos os dias… a verificar a caixa do correio… por vezes nem tomamos atenção com o caminho na rua e com quem nos cruzamos, porque estamos a conversar com alguém, a ler alguma coisa ou ver uma fotografia de uma qualquer rede social de geolocalização. Não conseguimos parar de verificar, de estar em constante alerta.

Há um contínuo alerta, sobre a informação que nós geramos e que irremediavelmente nos chega a cada segundo, e estamos sempre a verificar. Podemos pensar nesses estados de alerta, na constante verificação, como os estados de vigília de outras eras, em que para garantir a sobrevivência e manter a paz, tínhamos sempre de estar alerta e atentos aos perigos que podiam surgir. Perspectivas deverás diferentes, mas que talvez na sua génese tenham o mesmo estado.

Será que existe uma nova forma de sobrevivência, oriunda dos bites e bytes?

Indiscutivelmente este estado de alerta, não só consome a nossa paz natural, os nosso momentos de calma e serenidade, como provoca uma ansiedade constante. Mas a abolição do momento presente, de não viver no aqui e no agora, sem antever ou querer perceber futuros… o não apreciar na maioria das vezes o entorno e o sitio em que nos encontramos – faz parecer que a vida não vêm do entorno, do mundo em si, mas sim de um qualquer écran por mais pequeno  que seja… Toda esta abolição do momento presente está a transformar a forma de ser – com isto não quero dizer para melhor ou para pior…

A “incapacidade de parar é uma forma de depressão”. Quem o diz é o rabino Nilton Bonder, que escreve um texto intitulado: Os domingos precisam de feriados (talvez ainda longe de algumas realidades, não muito!) em que põe em causa o facto de já não sabermos estar sem fazer nada, e que o nosso descanso passa cada vez mais por fazer coisas. Ele defende que perdemos  o acto da pausa, que faz parte da própria vida. Desconforto, ansiedade, tensão, preocupação – são tudo formas de medo –  causadas por muito futuro, e presença insuficiente no agora.

Bonder termina o texto dizendo que “a prática espiritual deste milênio será viver as pausas”.

 

Imaginem que este texto começa a ser escrito enquanto no meio de uma quinta e num momento fluido, oiço as cigarras a cantarem alegremente… e nos poucos intervalos desse cantar, os latidos de uns cães ao longe… oiço ainda os ecos das vozes quentes de quem numa mesa se reúne.
No meu regresso a essa mesa, deixarei de ouvir o canto das cigarras… mas o tom de fraternidade das pessoas da mesa, consegue ser mais bonito que o som das cigarras…

No dia seguinte resolvo dar um passeio matinal… numa mera brincadeira infantil, tento descobrir onde estão as cigarras a dormir… e vou falando com a quinta, como se o tempo não existisse…

Entre tropeções no caminho e nas próprias chinelas de dedo, dou com uma porta aberta, que sem duvida me convida a entrar… não na casa, mas naquela quinta, naquele lugar de pedras onde um galo insiste em cantar no tom, antes do amanhecer repetidamente… e não só interrompe nas conversas da mesa, como nos entra pelos sonhos dentro, tornando-os na imagem de pratos de canja de um almoço próximo.

Acredito que existem tempos em que o céu é na terra, ou na quinta… Por isso mesmo agradeço aquelas vozes quentes que noite após noite, ia ouvindo no meu coração enquanto os grilos gozavam comigo pelos meus pés ficarem molhados.

Mesmo depois de regressar a casa e de ter tomado banho, reparo que os meus pés ainda têm terra… E com um sorriso que vêm de dentro, percebo o quanto aquela quinta se me entranhou na pele…

Merci, Quinta, Xana, Sofia, Rita, Borges, Anabela, Lino, Gonçalo, Bé, Tania, Hugo, Sebastião, Rodrigo, Mis, Teresa e ao Floculant King.

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Durante os meses de Maio e Junho, o Dr.º Watt e o Prof. Volt andaram pelos Paços do Concelho dos distritos de Setúbal e de Portalegre, em Auditorias Energéticas inseridas na Medida Conhecer&Agir (info).

Usando o teatro como vertente lúdica e de sensibilização para questões de eficiência energética, os dois actores, personificando Auditores da Agência Europeia para a Energia, fizeram auditorias à Medida.
As intervenções de teatro invisível onde o público não tem conhecimento nem informação sobre a acção – contemplou uma pesquisa e investigação sobre materiais do Plano de Promoção de Eficiência Energética.

Um guião base, serviu de partitura para a performance a realizar, tendo sempre em conta os locais e a participação dos funcionários dos edifícios visitados.
A boa disposição resultante das acções, contribuiu para uma simpática recordação, funcionando como consciencialização para as medidas a adoptar em relação à eficiência energética nos espaços públicos.

A Medida Conhecer&Agir conta com a Agência Senergia | Barreiro, como Promotora do projecto e com a parceria das Agências: AMESeixal | Seixal, ENA | Arrábida e AREANATejo | Portalegre.

Um agradecimento ao Orlando, à Susana, aos Joãos, à Ana e à Hélia, sem os quais as acções não teriam sido possíveis. Bem Hajam!