Be Water! My Friend!

A água entrou na minha vida desde o útero da minha mãe, como também a todos vocês, mas mais propriamente no ano de 2011, em 15 de Dezembro, pelas 18 horas, no espaço Ágora da Biblioteca da FCT, Campus da Caparica, quando foi feita a primeira apresentação do espectáculo O homem que queria ser água. Um convite do Professor José Moura, director da biblioteca, ao qual serei sempre grato por ter acreditado no meu trabalho e por me ter levado a criar todo este projecto em torno da água e das questões ambientais. E já lá vão 10 anos…

Talvez tenha sido em Abril desse ano que tudo se tenha iniciado. E recordo bem uma reunião inicial que tive com o professor, em que estava muito contente porque tinha encontrado, antes de tudo o resto, o nome do espectáculo: O homem que queria ser água. E ele perguntou-me automaticamente, o porquê do homem se querer transformar em água. Aquela questão tornou-se uma aflição e inquietação para mim durante algumas semanas – encontrar a justificação para tal facto. E foi aí que a minha vida mudou. Mudou a minha consciência pela magnitude e grandiosidade da água e com isso, toda uma visão holística deste elemento ímpar. 

Comecei uma investigação e pesquisa sobre o elemento ímpar que é a água, de uma forma científica, histórica, simbólica, metafísica, espiritual, tecnológica e artística também, bem como toda a problemática ambiental em seu torno – ainda pouco se falava nas questões ambientais. Nomes como Gaston Bachelard, Philip Ball, Titus Burckhardt, Fritjof Capra, Luis Veiga Cunha, James Lovelock, Theodor Schwenk e tantos outros, foram para mim uns guias e fizeram-me fluir por todo o universo da água – o bem mais precioso que temos.

Sem dúvida que a minha vida mudou. Como creio que mudaria a de qualquer um de vós, ao estudar este elemento de uma forma mais profunda – pois o que nos ensinam na escola fica muito aquém do valor e da importância que este elemento tem nas nossas vidas: desde os sonhos até aos chips dos telemóveis, passando pelo seu inquestionável papel na sociedade e nos sistemas. A água é transformação, metamorfose, regeneração formal, articulação da vida e da morte.

E desde o dia 15 de Dezembro de 2011…e desde o espectáculo de teatro O homem que queria ser água, o projecto foi crescendo, transformando-se, metamorfoseando-se, articulando-se – como a água – em mais criações, pesquisas, propostas, sensibilizações e formações sobre este elemento.

Hoje em dia o projecto O homem que queria ser água, conta com dois espetáculos de teatro: O homem que queria ser água e ÁguaFontes, um conto infantil: O rapaz que se transformou em água, um Alternate Reality Game: L´Áqva, uma animação hipermídia, reconhecida internacionalmente: @gua um conto digital, uma tese de Mestrado em Ciências da Comunicação: Água, Arte e Consciência no Séc XXI – O papel da tecnologia no fluxo da natureza, as Conferências Water Talks, que deram origem a uma publicação em papel e digital como o mesmo nome, um projecto online: Vídeo-Teatro + Water Quiz e um artigo académico, escrito pelo Professor Rui Torres e Rúben Ferreira: “Watery Narratives: Ecological Education and Narrative Transposition in António Abernú´s < O homem que queria ser água>.

Durante estes 10 anos, foram mais de 45 pessoas e instituições que se juntaram e colaboraram com o projecto, espectáculos de teatro, acções de sensibilização e conferências que serviram como missão de sensibilização para este elemento único que continuo a acreditar, poderá levar-nos a um outro estado de consciência sobre o mundo e sobre o ser humano.

Obrigado a Tod@s!

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