Vivemos no momento do check/alerta!

Estamos constantemente a verifica. A verificar se nos chegou alguma notificação… a verificar se nos chegou alguma sms… a verificar se nos chegou alguma mensagem… a verificar quantos minutos já passaram desde a última vez que verificámos… a verificar se alguém colocou um like no post de à pouco… a verificar se alguém nos deu uma mão no jogo que religiosamente jogamos todos os dias… a verificar a caixa do correio… por vezes nem tomamos atenção com o caminho na rua e com quem nos cruzamos, porque estamos a conversar com alguém, a ler alguma coisa ou ver uma fotografia de uma qualquer rede social de geolocalização. Não conseguimos parar de verificar, de estar em constante alerta.

Há um contínuo alerta, sobre a informação que nós geramos e que irremediavelmente nos chega a cada segundo, e estamos sempre a verificar. Podemos pensar nesses estados de alerta, na constante verificação, como os estados de vigília de outras eras, em que para garantir a sobrevivência e manter a paz, tínhamos sempre de estar alerta e atentos aos perigos que podiam surgir. Perspectivas deverás diferentes, mas que talvez na sua génese tenham o mesmo estado.

Será que existe uma nova forma de sobrevivência, oriunda dos bites e bytes?

Indiscutivelmente este estado de alerta, não só consome a nossa paz natural, os nosso momentos de calma e serenidade, como provoca uma ansiedade constante. Mas a abolição do momento presente, de não viver no aqui e no agora, sem antever ou querer perceber futuros… o não apreciar na maioria das vezes o entorno e o sitio em que nos encontramos – faz parecer que a vida não vêm do entorno, do mundo em si, mas sim de um qualquer écran por mais pequeno  que seja… Toda esta abolição do momento presente está a transformar a forma de ser – com isto não quero dizer para melhor ou para pior…

A “incapacidade de parar é uma forma de depressão”. Quem o diz é o rabino Nilton Bonder, que escreve um texto intitulado: Os domingos precisam de feriados (talvez ainda longe de algumas realidades, não muito!) em que põe em causa o facto de já não sabermos estar sem fazer nada, e que o nosso descanso passa cada vez mais por fazer coisas. Ele defende que perdemos  o acto da pausa, que faz parte da própria vida. Desconforto, ansiedade, tensão, preocupação – são tudo formas de medo –  causadas por muito futuro, e presença insuficiente no agora.

Bonder termina o texto dizendo que “a prática espiritual deste milênio será viver as pausas”.

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