Imaginem que este texto começa a ser escrito enquanto no meio de uma quinta e num momento fluido, oiço as cigarras a cantarem alegremente… e nos poucos intervalos desse cantar, os latidos de uns cães ao longe… oiço ainda os ecos das vozes quentes de quem numa mesa se reúne.
No meu regresso a essa mesa, deixarei de ouvir o canto das cigarras… mas o tom de fraternidade das pessoas da mesa, consegue ser mais bonito que o som das cigarras…

No dia seguinte resolvo dar um passeio matinal… numa mera brincadeira infantil, tento descobrir onde estão as cigarras a dormir… e vou falando com a quinta, como se o tempo não existisse…

Entre tropeções no caminho e nas próprias chinelas de dedo, dou com uma porta aberta, que sem duvida me convida a entrar… não na casa, mas naquela quinta, naquele lugar de pedras onde um galo insiste em cantar no tom, antes do amanhecer repetidamente… e não só interrompe nas conversas da mesa, como nos entra pelos sonhos dentro, tornando-os na imagem de pratos de canja de um almoço próximo.

Acredito que existem tempos em que o céu é na terra, ou na quinta… Por isso mesmo agradeço aquelas vozes quentes que noite após noite, ia ouvindo no meu coração enquanto os grilos gozavam comigo pelos meus pés ficarem molhados.

Mesmo depois de regressar a casa e de ter tomado banho, reparo que os meus pés ainda têm terra… E com um sorriso que vêm de dentro, percebo o quanto aquela quinta se me entranhou na pele…

Merci, Quinta, Xana, Sofia, Rita, Borges, Anabela, Lino, Gonçalo, Bé, Tania, Hugo, Sebastião, Rodrigo, Mis, Teresa e ao Floculant King.

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