Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.[i]

 

A minha ideia fundamental é não entender as coisas. Temos mais bagagem somada de conhecimentos, mas também somos mais exigentes nas respostas. Sabemos ver, mas não sabemos entender. Não compreendemos nada e cada vez é maior a divida de todas as coisas. […] Como a existência não é eterna, nós substituímo-nos, porque a vida animal é efémera. Por isso temos de andar sempre a aprender a mesma coisa.[ii]

A alma humana é como a água: vem do Céu e volta para o Céu, e depois retorna à Terra, num eterno ir e vir.[iii]

A economia moderna, apesar de todos os conhecimentos de que dispõe, não quis considerar, desde há muito tempo, uma das bases mais importantes tanto da sua própria existência como da nossa própria vida, a saber, a pureza da água viva. Semelhante esquecimento demonstra o carácter unilateral do seu desenvolvimento, o qual, deixando à parte a questão da água, é prejudicial para muitas outras coisas, e não menores, tais como a alma, ou psique. Enquanto o equilíbrio da Natureza permanece intacto, as águas da Terra purificam-se permanentemente, no entanto a ruptura deste equilíbrio tem como consequências a contaminação e a morte. Por isso não é pura coincidência se a “vida” das águas simboliza a “vida” da alma humana. […] O individuo, com a sua intenção, boa ou má, não desempenha a este respeito mais do que um papel ínfimo: toda a gente, efectivamente, está debaixo da pressão das forças económicas, e as pessoas disfarçam-se a si próprias as consequências destrutivas disso mesmo, o que desencadeou numa espécie de autodefesa inconsciente. Mas, a longo prazo, semelhante atitude conduz ao desastre.[…] Contudo não se haviam visto nunca tantas concentrações de  edifícios construídos com pedra, cimento e ferro; contudo não se havia visto nunca, também, as povoações urbanas, em massa igualmente enorme, fugir periodicamente das suas casas para ir redescobrir a natureza, a costa marítima ou a montanha, a mesma Natureza que eles mesmos repudiaram de forma tão inexorável. Seria falso dizer que, ao ir ao reencontro da natureza, as pessoas apenas pensam em manter-se psiquicamente de boa saúde. Muitos, se não todos, procuram ao mesmo tempo um descanso da alma e libertar o espírito da carga dos raciocínios mentais. E, contudo, são as mesmas pessoas que quanto estão de férias procuram, conscientemente ou não, essa beleza natural, renegarão a ela como de um luxo “romântico” cada vez que ela seja um obstáculo para os seus interesses práticos. [iv]

A água esta em circulação perpetua, transportando, infiltrando, encontrando sempre um caminho; o gotejar constante desgasta a pedra. Inunda, lava, reorganiza e sulca. Impregna os nossos corpos, as nossas casas, as nossas cidades e continente, tanto como o nosso pensamento e a linguagem. “Penta rhei” – tudo flui. Cada forma de vida foi apenas possível por e através deste meio. É uma constante transformação que não conhece limites mas que continua a ser um recuso limitado. A água não pode ser produzida. A quem pertence, quem tem acesso a ela? […] Alem de simples formulas fixas, incluindo a definição de arte que se mantém como um fluxo. A arte penetra, é erosiva e transforma. Emana, atravessa limites e cria vínculos entre o possível e o impossível, o actual e o utópico, o invisível e o visível. Perpetuamente renovando-se a si mesma, a arte precisa ser tão persistente como a água, que forma e esculpe com o tempo. [v]

 

To design with flowers.

To paint with the clouds.

To write with water.

To record the wind of may or 
the path of a falling leaf.

To work on a storm. To anticipate a glacier.

To arrange water and light….

To take in a forest or a prairie….

To open up the living,

three dimensional spaces of Nature.

With the slightest possible intervention, to electrify and transform the spaces of Nature 
into the spaces of Art…[vi]


[i] Provérbio

[ii] Fernando Lanhas | Arquiteto e Artista Plástico | 1923_2012

[iii] Johann Goethe | Escritor e Artista | 1749_1832

[iv] Titus Burckhardt | Filosofo e Pensador| 1908_1984

[v] Claudia Schmacke | Artista Plástica 1963_

[vi] Nils-Udo | Artista da Natureza | 1937_

 

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