Sou português – seja lá isso o que isso é…  Nasci, cresci e continuo por cá – apesar de uma ou outra oportunidade de ir embora… mas escolhendo ou não, continuo por cá – talvez seja isto a tuguisse…

Mas ando um bocado cansado de só ouvir dizer os portugueses que não temos, que nos falta, que devíamos, que não criámos, que não soubemos, que não nos preparámos, que não tivemos… eu sei que as coisas estão mal, também o sinto nos sulcos da pele! Mas vejo e sinto poucos a tentar, pensar e fazer por novas perspectivas – a moda é, e talvez sempre tenha sido – criticar.

Pouco tempo depois de uma gafe de uma figura pública, um comentário de um ministro, uma noticia revoltante… pouco tempo depois, no facebook surgem logo fotografias, montagens e outras que tais, com piadas e com toda essa critica do não temos, e não podemos… Pergunto-me se estas pessoas não deveriam antes usar essa energia criativa para o seu respectivo trabalho ou, se pelos vistos, têm tempo de sobra, usa-lo para ajudar os outros… não será demasiada energia gasta sem perspectiva alguma?…

O português não quer ser ele, foge dele mesmo… não mostra a cara… é low profil… nunca fez nada… não sabe mexer, desconhece… nunca foi, nem lá esteve… é normal… está sempre mais ou menos… nunca fez… não tem mas diz e faz que sim, têm e dizem que não… nunca está bem nem mal… desde que não o chateiem… – serão isto ainda nuvens de Deus, Pátria Família? Parece que o português não quer viver…

Se as pessoas não são elas mesmas – isso não influencia tudo o que fazem e que as rodeia?!… Mudar conceitos, conceitos sobre tempo e trabalho e alterar o que é considerado “normal”.

Urge um trabalho de consciencialização de cada um e do todo, uma perda de rodeios e vaidades, um abrir de corações e de cabeças, falar, comunicar… falar de dentro – porque nunca se é único a ter o mesmo pensamento, medo, trauma ou receio…

Acredito mais positivo se todas estas energias negativas e corrosivas, fossem canalizadas para se criarem sinergias e perspectivas mais positivas…

 

Podemos ficar presos no pensamento a um ponto tal que primeiro que consigamos articular uma ideia ou estruturar um pensamento, pode levar dias… depois tudo é meio vomitado para ser depois mais tarde, limpo e limado.

No outro dia cruzei-me com uma miúda na rua, que não teria mais de 12 anos, com uns calções que não eram maiores que os meus speedo´s – e não quero ser mau…

O pensamento é sacana, não deixa sequer ver um filme, atira-se com novas formas e consegue sobrepor-se aos movimentos no ecrã – o que é que estava a ver?

Ignoramos ou aceitamos, preto no branco, não há meios tons… e quando aceitamos servir, o tempo do pensamento confunde-se com o tempo que já de si, é bem confuso…

2012 começa assim, como se fosse a transformação de tudo o que ainda não acabou de ser mudado… a vida segue, segue sempre sem parar e tem de nos levar atrás dela –  ou de preferência á frente!

‎…que o ano mude, que traga prosperidade, realizações e energia… e que cada um de nós também mude, um pedacinho que seja, para criarmos todos um ano bem melhor :P

Good Vibes *Much Love *Happy New Year!

Desejo uns dias amenos de sentimentos nobres e quentes, de carinho e alegria… com energia para continuarmos uns com os outros e percebermos a magia que isso tem…com sorrisos e com acções que sejam mais do que a de um like… e boas festas :P

Na recta final do homem que queria ser água…

Sonhar faz com que as coisas aconteçam, escrevo na voz do personagem Água… e talvez quando escrevi a frase não a senti como agora, que se aproxima a estreia do espectáculo: dia 15 de Dezembro, pelas 21 horas na biblioteca da FCT/UNL, Campos da Caparica.

Talvez e agora, depois de tanto sonhar, pela projecção e trabalho das ideias e dos desejos, mas também pelo sonho inocente de criança, do acreditar, do criar… pela magia que ainda me faz ser possível acreditar…

Há um fado na vida e não falo apenas do português!…

Quase que oiço a Xana a dizer: Lá vens tu com a mania que as pessoas são boas!… Mas talvez seja esse o meu fado, acreditar ainda…

O homem água apodera-se de mim. Primeiro saiu cá de dentro para as palavras que escrevi dele e sobre ele, a sua história… e agora, aos poucos, nos ensaios, acaba por  não me largar… por vezes acaba mesmo por entrar e tomar conta de mim e fazer a minha historia…

Mal nos quer o teatro, quando por vezes nos deixa mazelas, nódoas negras, inchaços, dissabores e coisas tais… Já muitas vezes tenho pensado que há pelo menos dois tipos de actores: os que tem nódoas negras e os que as não têm…  não vou discutir quais dos dois são mais virtuosos! – creio que não se quantificam por isso – mas sem duvida que as nódoas negras conferem que o actor se deixa ir no que está a fazer, perde a sua parte racional para se deixar ir…

Mal me queres vai dar á luz na quinta feira dia 3 de Novembro, com todas as nódoas negras, mazelas, virtuosismos, erros, dissabores e vontades que oscilam entrem o texto do João Santos Lopes e o palco da própria vida – sim, porque o teatro não se fica só pelos palcos…

Num espectáculo em constante tensão e onde se tocam temas ainda, e provavelmente sempre, delicados desta sociedade que teima em não mudar… Num mundo ainda tão negro, mas que se pinta sempre com cores… onde tudo e todos pecamos na escuridão, mas á luz do dia e dos outros, tornamo-nos flores – e como elas, aos poucos, as pétalas que vão caindo ou são arrancadas,  deixam ver a verdadeira flor de que somos feitos…

Sintam-se convidados a este jardim : )

  

‘MAL ME QUERES’, 2º Prémio INATEL, 2000.
Um texto onde o desamor, a frieza de sentimentos, a fuga para comportamentos sociais perigosos, no seio duma família disfuncional são a pedra de toque desta teia de relações que, sem apego, revoltada, falsamente apaixonada e traída encontrará, no final um caminho menos penoso.
Ao abordar temas fracturantes da sociedade portuguesa (prostituição, droga, homossexualidade, abuso de menores…) e sem que sobre eles exerçamos qualquer juízo, contribui a ‘a bruxa TEATRO’ para a sua saudável e necessária discussão.

Figueira Cid

Encenação de Figueira Cid, assistência de encenação de Mirró Pereira, cenografia e figurinos de Gabriela Prates et alli, operação de luz e som de João Piteira e interpretação de Ana Leitão, António Abernú, Carolina Parreira, Figueira Cid e Mirró Pereira.

Estreia dia 3 Novembro. De 4a feira a Domingo até dia 19. 21:30, Domingos ás 16h. Info e reservas: abruxateatro@gmail.com | 266 747 047